
Maysa Leão
Durante a sessão ordinária da Câmara Municipal de Cuiabá nesta terça-feira (19), a vereadora Maysa Leão (Republicanos) fez duras críticas ao prefeito Abílio Brunini (PL), após a divulgação de um vídeo gravado por ele em uma escola estadual. No vídeo, o prefeito questiona alunos sobre uma conta de multiplicação e ironiza o gesto do “L”, associado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Maysa, a postura do prefeito seria contraditória, já que ele defende a proibição de militância em espaços públicos:
“Prefeito que retirou de dentro da conferência de saúde uma professora doutora porque dizia estar fazendo militância e falando uma língua que não era a língua portuguesa. Prefeito esse, que em seguida, ao visitar uma unidade de educação, filmou os alunos e fez militância. A militância é proibida desde que não seja para ele”, afirmou a vereadora.
Maysa também criticou a associação feita entre o desempenho dos estudantes e apoio político:
“Ao fazer a militância, ainda perguntou, fazendo alusão de que os alunos que não sabiam responder 4 x 4 haviam feito o ‘L’. O nome disso é militância. Nossas escolas são sem partido. Aquilo que é proibido para um deveria ser proibido para todos”, ressaltou.
A parlamentar ironizou a defesa do prefeito sobre o episódio, quando ele afirmou que não havia “exposto” os estudantes:
“A palavra ‘expost’ não existe. O senhor que tanto preza pela tabuada deveria prezar também pela língua portuguesa e aprender conjugação verbal. Sim, o senhor fez coisas que expuseram os alunos”, concluiu.
Entenda o caso
O episódio ocorreu durante a inauguração da Escola Estadual Alice Fontes, quando Brunini disse:
“Saber fazer o L e não saber 4×4 vai dar um problema danado”,
em referência política. A fala gerou repercussão negativa por politizar o ambiente escolar e expor menores de idade.
O prefeito negou ter gravado ou publicado inicialmente o vídeo, alegando que ele foi feito pelas próprias alunas e divulgado pela imprensa. Brunini afirmou que apenas compartilhou um conteúdo já público, que não mostra os rostos das estudantes.
Autoridades estaduais também criticaram a atitude. O secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, destacou que a educação deve ser tratada com seriedade, sem politização ou exposição de menores. Já o secretário de Educação, Allan Porto, classificou a ação como “desnecessária” e prejudicial ao ambiente escolar.
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