
Os irmãos Álvaro Jabur Maluf Júnior e Paulo Jabur Maluf, sócios da tradicional Camisaria Colombo, foram presos nesta quinta-feira (21) em São Paulo, acusados de participar de um esquema de fraude bancária que desviou cerca de R$ 21 milhões. A operação foi deflagrada pela Polícia Civil após denúncia feita pela instituição financeira PagSeguro, que relatou a criação de créditos inexistentes para movimentações ilícitas.
Além dos empresários, também foram alvos da ação policial Bruno Gomes de Souza, representante da BS Capital, que foi detido, e Mauricio Miwa, funcionário de uma empresa de gestão de valores, que não foi encontrado. Segundo a investigação, o grupo criminoso é composto por ao menos sete pessoas, incluindo beneficiários das transferências feitas da conta da BS Capital.
A Justiça ainda autorizou o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Birigui, Avaré e Brasília.
O esquema
As investigações começaram em dezembro de 2024, após a denúncia do PagSeguro sobre um furto milionário via fraude tecnológica. O grupo teria explorado falhas no sistema da instituição para gerar créditos falsos, movimentando-os entre diversas contas. Parte dos valores foi transferida para a BS Capital.
De acordo com a Polícia Civil, o objetivo do esquema era ocultar patrimônio em meio ao processo de recuperação judicial da Camisaria Colombo, que soma R$ 1,885 bilhão em dívidas e tramita na 1ª Vara Cível de Cuiabá. A prática teria prejudicado diretamente os credores da empresa.
Recuperação judicial da Colombo
Fundada em 1917, em São Paulo, a Camisaria Colombo expandiu-se fortemente a partir da década de 1990, chegando a ter 434 lojas em todo o país em 2014. No entanto, o faturamento despencou de R$ 700 milhões em 2014 para R$ 107 milhões em 2019, segundo o jornal Valor Econômico.
Em março de 2020, o grupo ingressou com pedido de recuperação judicial em Cuiabá. O plano foi homologado em dezembro daquele ano pelo juiz Marcos Aurélio dos Reis Ferreira, que aplicou o mecanismo de “cram down” – recurso que permite validar a proposta mesmo sem aprovação da maioria dos credores, desde que haja apoio de ao menos um terço deles.
O processo ganhou contornos ainda mais polêmicos após mensagens atribuídas ao advogado Roberto Zampieri – assassinado em Cuiabá em dezembro de 2023 – mencionarem suposto favorecimento ao grupo Colombo em decisões judiciais. As credoras Caedu Comércio Varejista, Blue Bay Comercial Ltda e Blue Center Comércio de Roupas Ltda chegaram a pedir a anulação da recuperação e a decretação da falência.