
Estudantes do Instituto de Física da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) denunciaram casos de assédio moral e sexual praticados por servidores e professores da instituição. As alunas relatam ainda a ausência de acolhimento por parte da coordenação e a sensação de insegurança em um curso majoritariamente formado por homens.
Uma das estudantes chegou a conseguir medida protetiva contra um servidor técnico, acusado de perseguição. Apesar da ordem judicial, ele não foi afastado inicialmente, apenas transferido de sala. Dias depois, ao solicitar retorno ao cargo, o servidor alegou que a própria vítima havia retirado a queixa. A aluna, no entanto, garante que não foi ela quem fez o pedido e afirma que alguém se passou por ela para revogar a medida.
Assustada, a jovem registrou um novo boletim de ocorrência e conseguiu ampliar a distância da medida protetiva para um quilômetro. O caso tramita em sigilo na Corregedoria da UFMT, e outras três estudantes se apresentaram como testemunhas após a denúncia.
Além do servidor, outra aluna relatou ter sofrido assédio moral de um professor, prática que, segundo ela, também atinge outras colegas do curso, mas que não é denunciada por medo de represálias.
O cenário expõe a vulnerabilidade das mulheres dentro do Instituto de Física, que, de acordo com o anuário estatístico de 2022, tem apenas 36 mulheres entre 107 alunos matriculados. Segundo as estudantes, em vez de apoio, elas ainda enfrentam constrangimento e piadas de outros professores.
O problema não é isolado. Somente no último mês, três crimes contra mulheres foram registrados dentro da UFMT: uma funcionária encontrada morta após sofrer violência sexual, uma estudante atacada por um usuário de drogas dentro do campus e outra jovem vítima de importunação sexual por um homem sem vínculo com a universidade.
Durante reunião recente da Congregação do Instituto de Física, foi debatida a criação de um centro de acolhimento às vítimas de assédio. No entanto, a proposta não avançou por falta de profissionais habilitados e pelo receio de que integrantes ligados ao próprio bloco — possivelmente envolvidos em casos — ocupassem o espaço.
Nota da UFMT
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) informa que tem conhecimento dos casos relatados no Instituto de Física (IF), Câmpus de Cuiabá, e que está acompanhando a situação por meio das instâncias acadêmicas competentes e da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Prae), que tem prestado apoio às estudantes envolvidas.
Assim que foi formalmente notificada, a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep) adotou as medidas cabíveis para o cumprimento das determinações judiciais relacionadas à medida protetiva vigente. O caso tramita em sigilo na Corregedoria da instituição.
A UFMT reforça que dispõe de canais de acolhimento e orientação às vítimas, inicialmente pela PRAE, e que a recém-criada Secretaria de Direitos Humanos está estruturando ações específicas para o atendimento de situações de violência e assédio que envolvam membros da comunidade acadêmica.
Estudantes que se sintam vítimas de assédio devem registrar denúncia pelos canais oficiais — gov.br e Ouvidoria da UFMT — e, no caso dos discentes, procurar também a PRAE até que a Secretaria de Direitos Humanos esteja em pleno funcionamento.
A Universidade reafirma seu compromisso com a segurança, o respeito e a integridade da comunidade acadêmica, não tolerando qualquer forma de violência ou assédio em seus espaços.
Inf. Gazeta Digital
Como disse o prefeito: Está uma bosta!