
crédito: Antonio Augusto/SCO/STF
A semana que antecede o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF começou sob clima de tensão após o 24º Fórum Empresarial Lide, na sexta-feira passada. No evento, os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes trocaram farpas que chamaram atenção tanto do meio jurídico quanto político.
Mendonça defendeu a autocontenção dos magistrados e afirmou que decisões judiciais devem pacificar, evitando gerar confusão ou polêmica. A fala, embora sem citar nomes, foi interpretada como indireta a Moraes e recebeu aplausos de empresários presentes. Moraes, por sua vez, rebateu que o respeito ao Judiciário se dá pela independência da Corte e reafirmou que não se dobrará diante de pressões externas.
Nos bastidores, a troca de farpas gerou desconforto. A avaliação é de que o STF, em um momento delicado, precisaria mostrar coesão, especialmente porque a maioria das decisões de Moraes foram chanceladas pelo plenário. Há consenso de que críticas internas só fortalecem a percepção de fragilidade da Corte.
O episódio também revive lembranças da atuação de Mendonça no governo Bolsonaro, quando cobrou investigações da Polícia Federal contra artistas e outdoors críticos ao então presidente, em um estilo bem diferente do que agora defende.
Com o julgamento marcado para a Primeira Turma, a atenção se volta para Gilmar Mendes, que participará de um seminário em São Paulo nesta semana. Políticos e observadores esperam que o decano atue para acalmar os ânimos e reforçar a independência da Corte.
No colegiado, a expectativa é que apenas Luiz Fux possa se afastar do voto do relator, Alexandre de Moraes. Flávio Dino, Carmen Lúcia e Cristiano Zanin devem seguir o relator, mantendo firme a posição da maioria da Primeira Turma.
O Lide mostrou que, mesmo em momentos de pressão política, as divergências internas do STF podem vir à tona, reforçando que a Corte terá dias de intenso acompanhamento público e político até o julgamento de Bolsonaro.