
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), responsável por acompanhar 1.500 km de litoral entre Santa Catarina e o Rio de Janeiro, registrou a morte de 3.342 pinguins-de-Magalhães somente em 2025. Apesar do impacto visual e da comoção, biólogos afirmam que os números seguem dentro da média dos últimos anos.
Locais mais afetados
Em Florianópolis, mais de mil animais foram encontrados sem vida, chegando a 1.676 registros apenas na capital catarinense. No litoral de São Paulo, o cenário também é alarmante: em Ilha Comprida, 350 pinguins foram encontrados mortos em um único dia, enquanto Iguape registrou 147. Em contrapartida, apenas 19 indivíduos foram resgatados com vida na região.
Casos também foram relatados na Bahia, onde animais apareceram mortos na Praia de Taípe, em Arraial d’Ajuda, e em Salvador, na Baía de Todos-os-Santos.
Histórico das mortes
O monitoramento realizado desde 2015 mostra que os números variam bastante a cada temporada. O maior registro ocorreu em 2018, com 6.529 mortes. Em anos recentes, a média tem oscilado entre 4 mil e 6 mil óbitos anuais. Veja os dados:
- 2015: 963
- 2016: 1.461
- 2017: 1.016
- 2018: 6.529
- 2019: 2.561
- 2020: 2.019
- 2021: 4.415
- 2022: 6.471
- 2023: 5.224
- 2024: 5.074
- 2025 (até agosto): 3.342
Causas do fenômeno
Os pinguins-de-Magalhães migram todos os anos da Patagônia argentina em busca de águas mais quentes e alimento. A longa viagem deixa os animais exaustos e vulneráveis. Entre os principais fatores que levam às mortes estão hipotermia, escassez de alimento, doenças e interações com a atividade pesqueira.
Segundo Emanuel Ferreira, gerente operacional do PMP-BS, “a longa viagem deixa os animais cansados, incapacitados e vulneráveis. A falta de alimento, a hipotermia, doenças e interações com pescarias contribuem para as mortes”.
Impacto ambiental
Apesar dos números elevados, especialistas ressaltam que o fenômeno não ameaça a sobrevivência da espécie, estimada em milhões de indivíduos na América do Sul. No entanto, os episódios reforçam a necessidade de monitoramento constante, de resgate dos animais ainda vivos e de investigações para entender as causas mais específicas.
O quadro, embora natural dentro do ciclo migratório, levanta preocupações adicionais sobre mudanças climáticas e impacto humano, fatores que podem intensificar as dificuldades enfrentadas pelos pinguins ao longo da jornada.