
O juiz Francisco Ney Gaíva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou que o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira e o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva sejam levados a júri popular pelo assassinato do advogado Renato Gomes Nery, ocorrido em julho de 2024. A decisão, publicada nesta segunda-feira (25), manteve a prisão preventiva dos réus.
Ambos respondem por homicídio qualificado, fraude processual e organização criminosa. Heron ainda é acusado de abuso de autoridade.
De acordo com o Ministério Público, em 5 de julho de 2024, Alex atirou contra Nery em frente ao escritório da vítima, em Cuiabá, após ter recebido proposta de Heron para cometer o crime por R$ 200 mil, motivado por uma disputa de terras.
As defesas pediram a impronúncia dos réus. Heron alegou falta de provas e solicitou a revogação da prisão preventiva, enquanto Alex requereu a exclusão de crimes conexos e da qualificadora de perigo comum. Nenhum dos pedidos foi aceito.
Na decisão, o juiz destacou que a instrução processual apresentou indícios suficientes contra os acusados, incluindo a confissão de Alex, que admitiu ser o autor dos disparos e disse ter aceitado o crime devido a dívidas pessoais.
Quanto a Heron, o magistrado apontou evidências de que ele atuou como intermediário, conectando mandantes e executor, além de participar da logística financeira e da tentativa de ocultação de provas.
O juiz também considerou as agravantes de promessa de recompensa, perigo comum, dificuldade de defesa e a idade avançada da vítima.
“A gravidade concreta do crime, orquestrado e executado no seio de uma aparente organização criminosa com envolvimento de agentes do Estado, evidencia a elevada periculosidade dos acusados e o risco real à ordem pública”, escreveu Gaíva ao justificar a manutenção da prisão preventiva.