
Poucas horas após o brutal assassinato de Ana Paula Abreu, 33 anos, vítima de mais de 20 facadas desferidas pelo próprio marido, em Sinop (500 km de Cuiabá), a deputada estadual Janaina Riva (MDB) manifestou indignação e cobrou medidas mais duras contra autores de feminicídio.
Com Mato Grosso figurando entre os 11 estados que mais matam mulheres, segundo o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Janaina afirmou que as penas atuais, que chegam a até 40 anos de prisão, não têm sido suficientes para frear a escalada da violência de gênero.
“Perdemos mais uma mulher vítima de feminicídio em um dos estados que mais matam mulheres proporcionalmente no Brasil. Foram mais de 20 facadas. Deixo minha solidariedade à família de Ana Paula e digo a vocês que, às penas mais duras, não tem resolvido. Nós precisamos discutir a pena de morte e a prisão perpétua no Brasil. Não temos mais outro caminho para barrar os crimes contra mulheres em nosso país e especialmente em nosso estado”, declarou a parlamentar.
Janaina também ressaltou a discrepância entre a violência do agressor, Lucas França, e as recentes declarações de amor feitas pela vítima em suas redes sociais. Quatro dias antes do crime, Ana Paula havia homenageado o marido, chamando-o de “o homem da vida dela”.
A deputada reforçou ainda a necessidade de que mulheres estejam atentas a sinais de violência e que busquem ajuda o quanto antes. “A partir do momento em que existe agressão verbal, violência física, financeira ou psicológica, não está certo. É preciso denunciar, para que possamos rastrear mulheres em situação de vulnerabilidade e risco de violência”, alertou.
Dados alarmantes
O cenário em Mato Grosso reflete uma crise nacional. Em 2024, 11 estados registraram aumento nos casos de feminicídio: Alagoas, Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Roraima e São Paulo. Juntos, esses estados somaram 757 feminicídios no ano passado – 50,7% do total nacional. O número representa um aumento de 18% em relação a 2023.
Somente em Mato Grosso, foram 100 mulheres assassinadas em 2024, o que corresponde a uma taxa de 5%.