
O Ministério Público e a Polícia Civil do Distrito Federal investigam Cláudia Damiana da Silva Teixeira, conselheira tutelar acusada de condutas violentas durante atendimento a uma adolescente na capital, em setembro de 2024.
Segundo relatos da vítima, de 17 anos, o caso ocorreu no dia 19 de setembro na UPA do Sol Nascente. A adolescente, que relatou ter sofrido violência psicológica e sexual pelo próprio pai, foi alvo de comentários discriminatórios e coação psicológica por parte da conselheira, incluindo frases como: “ser lésbica e ateia é coisa do demônio”, “vou te provar que Deus existe” e “o que você está me dizendo é pecado”.
A vítima também teria recebido um ultimato, sendo obrigada a escolher entre mudar de cidade para um lugar desconhecido, sem contato com familiares, ou permanecer com a mãe. Ao final do atendimento, a conselheira teria mostrado à adolescente uma foto com conteúdo relacionado à automutilação. Após a visita, a jovem tentou se suicidar. Uma medida protetiva de urgência foi aplicada contra Cláudia, com pena de prisão em caso de descumprimento.
De acordo com o Portal da Transparência do Governo do DF, Cláudia Damiana recebeu, em junho, um salário líquido de R$ 9.092,23.
Investigações em andamento
O caso é acompanhado em múltiplas frentes:
- Ministério Público do DF (MPDFT): abriu inquérito civil em 18 de agosto, publicado no Diário Oficial da União em 22 de agosto. O órgão vai intimar os envolvidos e solicitar informações de outras instâncias.
- Polícia Civil (PCDF): a Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM II), em Ceilândia, conduz a investigação criminal.
- Comissão de Ética e Disciplina dos Conselheiros Tutelares (Cedicon): iniciou processo administrativo em fevereiro de 2025 após denúncia anônima. Cláudia Damiana foi ouvida e o conselho local solicitou informações adicionais.