Uma carta manuscrita que passou a integrar o conjunto de informações analisadas durante as investigações sobre o desaparecimento de Eliza Samudio voltou a chamar atenção ao apresentar uma versão alternativa para o destino da modelo. O documento, atribuído a um detento, ganhou repercussão ao relatar que Eliza teria deixado o Brasil após o rompimento com o goleiro Bruno Fernandes, utilizando documentos falsos e assumindo uma nova identidade no exterior.
De acordo com o conteúdo da carta, Eliza teria seguido inicialmente para um país vizinho e, posteriormente, viajado para a Europa, onde passaria a viver sob outro nome para evitar ser reconhecida. O autor afirma ter participado diretamente do processo de obtenção de documentos falsos, incluindo certidão de nascimento e passaporte, que teriam permitido a saída do país.
No texto, o remetente relata que conheceu Eliza após ela mencionar sua ligação com Bruno Fernandes e pedir ajuda para deixar o Brasil. Segundo o relato, os documentos teriam sido emitidos em nome de Dídia Lima Guimarães, identidade que supostamente teria sido usada pela modelo para permanecer fora do país após junho de 2010. A carta afirma ainda que o autor teria presenciado etapas do processo e recebido informações de terceiros que teriam acesso ao filho de Eliza.

A narrativa apresentada no documento contrasta com a linha principal das investigações conduzidas pelas autoridades e com as acusações formuladas ao longo do processo. À época, a defesa de Bruno Fernandes informou que analisaria o conteúdo da carta, mas adotou cautela quanto à veracidade das informações, ressaltando que outros relatos semelhantes já haviam surgido ao longo dos anos sem qualquer comprovação.
O Ministério Público tratou a versão com descrédito, classificando o conteúdo como inconsistente e desprovido de base concreta. Para os investigadores, a carta não apresentou elementos capazes de alterar o entendimento do caso ou de enfraquecer as provas reunidas durante o inquérito e os julgamentos.
Até hoje, não há qualquer confirmação oficial de que Eliza Samudio tenha saído do país com identidade falsa ou esteja viva. A carta permaneceu como um elemento periférico no processo, citada como uma tentativa de levantar dúvidas sobre o desaparecimento da modelo, mas sem respaldo nas evidências reconhecidas pela Justiça em um dos crimes mais emblemáticos do país.
