O Janeiro Branco, campanha nacional de conscientização sobre a saúde mental, em entrevista ao site MídiaNews, a profissional reforça um alerta que ainda enfrenta resistência no Brasil: buscar terapia não é sinal de fraqueza. A avaliação é da psicóloga Isabella Souza, do programa de medicina preventiva Viver Bem, da Unimed, que destaca a importância do cuidado psicológico como parte da rotina, e não apenas em momentos de crise.
Segundo a especialista, ainda persiste o estigma de que terapia é algo “para quem está em surto” ou “para quem é fraco”, percepção alimentada por fatores culturais e pela desinformação. “Fomos ensinados a suportar tudo em silêncio e a priorizar a produtividade, esquecendo do bem-estar”, afirma.
Isabella explica que o início do ano costuma ser um período delicado para muitas pessoas. As metas não cumpridas, a comparação com a vida alheia e as cobranças internas e externas aumentam sentimentos de frustração, ansiedade e culpa, o que torna o Janeiro Branco ainda mais simbólico.
Entre os principais fatores que afetam a saúde mental hoje, ela aponta a sobrecarga de trabalho, a insegurança financeira, o excesso de estímulos das telas, a pressão por desempenho e relações fragilizadas. O uso excessivo de redes sociais também contribui para o adoecimento emocional, especialmente quando provoca comparações constantes. “Quanto mais tempo nas telas, mais o cérebro busca dopamina, o que agrava o quadro de ansiedade”, explica.
A psicóloga alerta que tristeza, estresse e ansiedade deixam de ser normais quando passam a ser frequentes, intensos e duradouros, interferindo no sono, no trabalho, nos relacionamentos e na qualidade de vida. Irritabilidade constante, isolamento social, alterações no sono, cansaço extremo, perda de interesse por atividades prazerosas e dificuldade de concentração estão entre os sinais mais comuns de alerta.
Além dos impactos emocionais, Isabella destaca que a falta de cuidado com a saúde mental pode gerar consequências físicas, como problemas hormonais, dores crônicas, distúrbios gastrointestinais, baixa imunidade e alterações de peso. “Não existe separação entre mente e corpo”, afirma.
Como forma de prevenção, ela recomenda hábitos simples no dia a dia, como priorizar o sono, reduzir estímulos à noite, respeitar limites, fazer pausas, manter atividade física regular, diminuir a autocrítica e buscar ajuda profissional sempre que necessário.
Para a psicóloga, autocuidado não é luxo, mas necessidade. “Cuidar da saúde mental é prevenção. Quando a pessoa procura ajuda só no limite, o custo emocional e físico é muito maior”, conclui.
