Horas depois de determinar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para uma unidade da Polícia Militar no Complexo da Papuda, o ministro Alexandre de Moraes resumiu a decisão com poucas palavras e uma dose de ironia: “fiz o que tinha que fazer”.
A declaração foi feita nesta quinta-feira durante a formatura da 194ª turma do curso de Direito da Universidade de São Paulo, realizada no Teatro Vibra São Paulo, na Zona Sul da capital paulista. Alexandre de Moraes foi o patrono da turma e discursava no momento em que comentou, de forma descontraída, sobre o tempo das falas ao longo da cerimônia.
Ao mencionar a decisão tomada mais cedo, que resultou na transferência de Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, unidade que integra o Complexo Penitenciário da Papuda e é popularmente conhecida como Papudinha, Moraes afirmou que apenas cumpriu seu papel institucional.
A fala ocorreu poucas horas após o despacho que autorizou a mudança do local de custódia do ex-presidente, medida que gerou ampla repercussão política e jurídica ao longo do dia. Sem entrar em detalhes sobre o conteúdo da decisão, o ministro optou por uma resposta curta, em tom irônico, diante da plateia formada por formandos, professores e convidados.
O comentário foi interpretado como uma sinalização de que, do ponto de vista do magistrado, a decisão adotada estava dentro da normalidade das atribuições do cargo, ainda que envolvesse um dos personagens centrais do cenário político nacional.
