
O fim de agosto trouxe um silêncio que ecoa entre as rodas de amigos, os cafés literários e as páginas dos jornais: partiu, aos 88 anos, o gaúcho Luis Fernando Verissimo, um dos nomes mais amados da literatura e da crônica brasileira.
Porto Alegre amanheceu em luto. Não apenas pela morte do escritor, mas pela ausência de um homem que, com humor fino e uma ironia que nunca feriu, traduziu a alma brasileira em textos curtos, leves e irresistíveis.
Filho do imortal Érico Verissimo, Luis Fernando fez da herança familiar um caminho de brilho próprio. Soube conquistar gerações com personagens que hoje já pertencem à memória afetiva do país: o irreverente Analista de Bagé, a doce e crítica Velhinha de Taubaté, o desajeitado detetive Ed Mort. Criaturas que ganharam vida nas páginas dos jornais, mas que logo se tornaram parte da conversa de botequim, do encontro entre amigos e das noites de risada nas salas de estar.
Nos salões culturais, sempre foi figura admirada pela simplicidade elegante. Preferia o humor inteligente à pompa, e o olhar afetuoso à crítica ferina. Amava jazz, saxofones e a boa mesa — outro traço que o aproximava dos círculos sociais mais refinados, sem nunca perder a ternura de quem sabia rir de si mesmo.
Agora, resta a saudade. Verissimo nos deixa um legado de leveza, poesia e humor que seguirá encantando leitores e admiradores. Na literatura, como na vida social, há presenças que não se apagam: apenas mudam de lugar. E Luis Fernando Verissimo já habita, para sempre, o espaço reservado aos grandes.