O possível acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que pode ser ratificado ainda este ano, promete alterar de forma significativa o posicionamento do agronegócio brasileiro no mercado internacional. A expectativa é de ampliação das exportações, maior competitividade e redução da dependência de destinos concentrados, especialmente em setores de maior valor agregado.
Entre os principais destaques está a carne bovina. Nos 11 primeiros meses de 2025, as exportações brasileiras para a União Europeia somaram US$ 820,15 milhões, crescimento de 83,2% em relação ao mesmo período de 2024. O bloco europeu aparece como o terceiro principal destino em valor, atrás apenas de China e Estados Unidos, puxado pela demanda por cortes premium. Para a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, o acordo pode trazer mais previsibilidade ao setor e diminuir a concentração de mercados.
Outro segmento estratégico é o complexo soja. Em 2025, a União Europeia foi o terceiro maior destino da soja brasileira, com embarques próximos de US$ 6 bilhões. Apesar de uma leve retração frente ao ano anterior, o mercado europeu é visto como estável e com potencial de crescimento para produtos industrializados, como farelo e óleo. A avaliação do setor é de que a redução de barreiras pode estimular a agregação de valor e fortalecer cadeias ligadas à proteína animal.
No café verde, a liderança brasileira no mercado europeu permanece consolidada. Entre janeiro e novembro de 2025, as exportações alcançaram US$ 6,43 bilhões, um aumento de US$ 1,22 bilhão em comparação ao mesmo intervalo de 2024. A expectativa é de que o acordo reduza tarifas e melhore a competitividade do café brasileiro, especialmente no segmento de solúvel, hoje em desvantagem frente a concorrentes que já contam com tarifa zero.
A celulose também figura entre os setores que podem se beneficiar. Mesmo com queda de 12,9% nas exportações totais, a União Europeia manteve-se como o segundo maior mercado do produto, respondendo por 21,1% do volume exportado, com receitas de US$ 1,98 bilhão. A diminuição de tarifas pode ampliar ainda mais a presença brasileira no bloco.
Já a carne de frango teve a União Europeia como o sexto maior destino em 2025, com exportações de US$ 457,99 milhões. O açúcar, considerado um produto sensível para os europeus, poderá ganhar espaço de forma gradual, embora com salvaguardas para proteger produtores locais.
Com a eventual ratificação do acordo UE–Mercosul, estão previstas reduções e eliminações tarifárias para produtos como carnes, café, soja, celulose, açúcar, etanol e suco de laranja. Especialistas avaliam que o tratado pode incentivar modernização, rastreabilidade e práticas sustentáveis no campo, além de reforçar a estratégia de diversificação de mercados do agronegócio brasileiro.
A análise é de que o acordo representa uma oportunidade relevante, mas que exigirá adaptação do Brasil às exigências do mercado europeu, transformando critérios ambientais e produtivos em vantagem competitiva.
