A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, não passou despercebida dentro da unidade e exigiu ajustes imediatos na logística do presídio.
Com a chegada do ex-presidente ao complexo prisional, Bolsonaro passará a ocupar a cela que até então era utilizada pela advogada Jéssica Castro de Carvalho, presa por tráfico de drogas. A mudança provocou o remanejamento da detenta para uma ala coletiva destinada a advogadas.
O novo local de custódia de Jéssica fica próximo às celas onde já estão detidos Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal. Ambos cumprem penas de 24 anos e seis meses de prisão por envolvimento nos atos antidemocráticos que se seguiram às eleições de 2022.
Silvinei Vasques foi preso preventivamente no Paraguai após descumprir o monitoramento eletrônico e tentar deixar o país pelo aeroporto de Assunção. Já Anderson Torres teve a condenação consolidada por crimes contra o Estado Democrático de Direito, figurando entre os principais nomes responsabilizados judicialmente pelos episódios investigados.
Jéssica Castro de Carvalho foi detida após ser flagrada transportando entorpecentes, munições e uma arma de fogo de uso restrito em seu veículo. As investigações indicam que ela mantém relacionamento com Weslley Raphael Godeiro Vasconcelos da Silva, conhecido como “Bora”, apontado como integrante da organização criminosa Comboio do Cão, com atuação no Distrito Federal.
A transferência de Bolsonaro para a Papudinha foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que destacou na decisão que o sistema prisional não se confunde com hospedagem de luxo. Segundo o magistrado, as condições oferecidas ao ex-presidente não caracterizam tratamento diferenciado que transforme o cumprimento da pena em algo semelhante a um hotel ou colônia de férias.
