
Novas revelações indicam que o jornalista Allan dos Santos figurava como alvo proeminente nas conversas informais do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mensagens trocadas entre assessores mostram que havia um esforço claro para incluir o nome de Santos na lista vermelha da Interpol, embora a abordagem revelasse caráter político e não legal.
Em um dos diálogos, Airton Vieira relatou que o alerta vermelho só poderia ser feito com Lyon, que já havia deixado claro sua posição a respeito. Percebendo isso, Marco Antônio Tagliaferro comentou de forma irônica que só faltava dizer que Santos teria feito atentado a bomba e liderava grupos no Oriente Médio, finalizando com tom de escárnio que encontraria algum envolvimento dele com grupos terroristas.
Especialistas apontam diversas irregularidades nas ações relatadas, como abuso de poder, perseguição política, desvio de finalidade e desrespeito ao devido processo legal, já que houve ausência de direito à defesa e ao contraditório. Desde 2021, Allan dos Santos tem sido alvo de pedidos de prisão preventiva e extradição por parte do STF, via ministro Moraes. A Polícia Federal foi orientada a incluir seu nome na “Difusão Vermelha” da Interpol, mas a organização negou a solicitação por falta de clareza nas acusações. Os Estados Unidos também se mostraram reticentes em atender ao pedido, considerando a possibilidade de violação da liberdade de expressão. Em outubro de 2024, a defesa conseguiu retirar os dados de Santos do sistema da Interpol.
Juristas apontam que essas ações ferem princípios constitucionais fundamentais, como liberdade de expressão, devido processo legal e direito de ampla defesa. A percepção de que Santos estaria sendo tratado como inimigo político e não como investigado enfraquece a legitimidade do uso de instrumentos judiciais e diplomáticos, gerando questionamentos sobre a atuação do chamado “gabinete paralelo” de Moraes.