A chegada de um novo ano é acompanhada por rituais simbólicos praticados em diversas culturas ao redor do mundo. Da escolha das roupas às comemorações coletivas, a virada de 31 de dezembro para 1º de janeiro carrega significados que atravessam séculos e refletem crenças religiosas, tradições populares e expectativas para os próximos 12 meses.
Celebrado há mais de quatro mil anos, o Ano Novo, conforme o calendário gregoriano, foi oficialmente consolidado no Ocidente em 1552, com a reforma promovida pelo papa Gregório XIII. Antes disso, o início do ano era celebrado no fim de março, associado ao começo da primavera no hemisfério norte. A escolha de janeiro está ligada ao deus romano Jano, símbolo das transições e dos novos começos.
No Brasil, a data é marcada pelo Dia da Confraternização Universal e por rituais populares, muitos deles com influência das religiões de matriz africana. Um dos mais conhecidos é o costume de pular sete ondas à meia-noite, tradição associada à Umbanda e à homenagem a Iemanjá e outros orixás, simbolizando pedidos e a renovação de energias.

Outro hábito comum é o uso de roupas brancas, associado à busca por paz e equilíbrio, especialmente em referência a Oxalá. Com o tempo, outras cores passaram a ser adotadas, cada uma representando desejos específicos, como prosperidade, amor, saúde ou espiritualidade, a partir de interpretações culturais e da psicologia das cores.

Os fogos de artifício, hoje parte central das grandes celebrações de Réveillon, têm origem na China, onde eram usados para afastar maus espíritos durante a virada do ano. Já a tradição das 12 uvas, trazida da Espanha, simboliza os 12 meses do ano e a esperança por sorte, equilíbrio e harmonia no ciclo que se inicia.
Ao longo do tempo, as comemorações de Ano Novo incorporaram elementos festivos, musicais e simbólicos, mas mantiveram o mesmo sentido essencial: celebrar o fim de um ciclo, acolher o novo e renovar expectativas por dias melhores, de acordo com a cultura e as crenças de cada sociedade.

