
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, mais uma vez, elevar o nível de monitoramento sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesta quinta-feira (28), o ministro Alexandre de Moraes determinou que a residência do político, em Brasília, tenha vigilância policial presencial nas áreas externas, enquanto cumpre prisão domiciliar.
A decisão, baseada em parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), descarta a presença de agentes no interior do imóvel, mas reforça a segurança nos arredores, incluindo ruas próximas e saída do condomínio. Além disso, todos os veículos que deixarem a residência deverão passar por vistoria completa, com registro diário de motoristas, passageiros e documentação das inspeções.
O fundamento oficial é o risco de fuga, considerando a proximidade de outros imóveis e a existência de “pontos cegos” no entorno, conforme já alertado pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal. Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, não há situação crítica dentro da casa, mas as medidas seriam justificadas para garantir a segurança externa.
O episódio levanta reflexões: até que ponto o reforço extremo de vigilância se torna necessário e quando passa a ser percebido como um controle simbólico excessivo? A decisão adiciona camadas de fiscalização que, mesmo com justificativa técnica, reforçam a sensação de que o acompanhamento se aproxima de uma rotina de monitoramento quase absoluto, com impactos diretos na percepção pública e política do caso.
Mais do que um protocolo de segurança, o episódio evidencia o delicado equilíbrio entre proteção, direito à privacidade e visibilidade política, colocando em debate a linha entre precaução e excesso institucional.