
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, com mais de 20 anos de experiência no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), alerta que o Brasil está em processo de formação de um narcoestado. A facção, originária dos presídios de São Paulo, já possui atuação em 28 países e exerce influência significativa na política e na economia do país.
De acordo com Gakiya, o PCC evoluiu de uma organização criminosa tradicional para uma estrutura mafiosa sofisticada. Atualmente, a facção não depende mais apenas da violência; ela se infiltra na economia formal por meio de empresas legítimas, como postos de gasolina e concessionárias de veículos, dificultando a identificação de suas atividades ilícitas.
O promotor destaca a necessidade urgente da criação de uma agência nacional antimáfia para integrar e coordenar os esforços de combate ao crime organizado. Ele critica a falta de articulação entre instituições como o Ministério Público e a Polícia Federal, o que compromete a eficácia das ações de repressão.
Gakiya também alerta que o PCC pode financiar candidatos nas eleições de 2026, buscando ampliar sua influência política e garantir acesso a contratos públicos e licitações. A facção já teria poder em prefeituras e câmaras municipais, e o risco é de que essa influência se estenda aos governos estadual e federal.
O promotor conclui que, sem medidas eficazes e imediatas, o Brasil corre o risco de consolidar um Estado paralelo dominado pelo crime organizado, com consequências graves para a democracia e a segurança pública.