O ano de 2026 iniciou com tristeza para uma família moradora do Engenho de Dentro, na Zona Norte. Isso porque a cadelinha Maya, de 6 anos, da raça Golden Retriever, morreu dentro de casa no momento da queima de fogos. Segundo sua tutora, o animal infartou devido ao barulho.
Ao DIA, a empresária Eduarda Diniz, de 34 anos, contou que a cadela tinha medo de foguetório e, quando ocorria, buscava abrigo em determinados locais da residência. Por volta de 2h de quinta-feira (1º), após a família retornar ao imóvel depois de comemorar a virada de ano, Maya foi encontrada sem vida dentro da sauna. A tutora destacou que um veterinário atestou a causa da morte como um infarto, provavelmente devido ao som dos fogos.
“De noite [quarta] saímos daqui, por volta de 21h, e deixamos todo o aparato, o quarto todo certinho para ela ficar, mas ela saiu e foi em direção ao nosso quintal, onde temos a sauna desativada, só com algumas coisas. Provavelmente, na hora dos fogos, ela saiu correndo e se enfiou lá. Quando chegamos em casa, a gente foi procurar por ela. Quando abri a porta da sauna, onde ela já tinha o costume de se esconder, a encontrei já morta. Foi aquela dor e desespero. Chamamos uma empresa de cremação e o veterinário informou que ela teve um infarto. Ficou muito agoniada e acabou infartando. Ele disse que tinha mais ou menos duas horas de falecida, ou seja, foi basicamente na hora dos fogos”, explicou.
A cadela entrou para a família no Natal de 2019 como um presente para uma das filhas de Eduarda. Desde então, Maya cresceu com as crianças e era muito agarrada com elas. Apesar de saber do medo de fogos do animal, a empresária revelou que não esperava que a fatalidade poderia ocorrer.
“Como ela é uma Golden, nem para todos os lugares é permitido levá-la. A gente acabou deixando ela em casa, mas com tudo mais organizado possível. A gente sabia que ela tinha medo, mas nunca íamos pensar que ia acontecer essa fatalidade. Sempre sentíamos o coração dela acelerado, mas chegar a infartar nunca pensávamos. Atualmente, minha filha tem 11 anos e tinha 5 quando Maya chegou. Elas cresceram juntas! Parte da infância da minha filha, foi ao lado dela. Está desesperador tudo que está acontecendo. Ela está quase 24h chorando, bate um desespero. Eu tive outro filho há 2 anos. Golden é muito dócil, são crianças grandes, Maya adorava brincar com eles! Era uma coisa linda de ver”, lembrou.
No Rio, a Lei Orgânica do Município proíbe cidadãos de fabricarem ou soltarem fogos de artifício com barulho. Empresas e a prefeitura só podem usar os artefatos com estampido reduzido em 50% ou totalmente sem som. Há previsão de multa entre R$ 200 e R$ 1,2 mil para quem descumpre a lei.
“Na virada do ano, enquanto muitos comemoravam, eu perdi minha cachorra. Ela não morreu de velhice e nem de doença. Ela morreu de medo. Essa não é uma dor isolada. Animais sofrem, pessoas atípicas sofrem, idosos sofrem, crianças sofrem. O que para alguns é diversão, para outros é sofrimento real e no meu caso foi fatal. Não é sobre acabar com a alegria. É sobre evoluir. Celebrar sem causar dor. Comemorar sem matar. Fogos barulhentos não são tradição: são escolhas. Escolhas têm consequências e tá sendo terrível não ter mais a nossa Maya”, finalizou Eduarda.
