
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso determinou a soltura do empresário Rafael Geon de Souza, preso no dia 14 de agosto em Cuiabá durante a Operação Datar, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas no Estado.
A decisão, publicada na última quarta-feira (20), é do desembargador Wesley Sanchez Lacerda, da Primeira Câmara Criminal, e estabelece medidas cautelares ao investigado. Entre elas estão o comparecimento mensal em juízo para justificar suas atividades, a proibição de ausentar-se da comarca sem autorização judicial e de manter contato com os demais investigados por qualquer meio.
No documento, o magistrado destacou que Rafael não integra o núcleo central da investigação, formado por outros quatro suspeitos, e que apenas uma movimentação financeira de R$ 57,2 mil foi atribuída a ele entre 2015 e 2023. Outro investigado em situação similar, Thiago Massashi Sawamura, também teve liberdade concedida.
O desembargador ainda ressaltou que, embora Rafael responda a uma ação penal de 2023 por integrar um grupo de cobrança conhecido como “grupo do chicote”, não há registros de novos atos delitivos desde então, justificando a liberação.
Grupo do chicote
Rafael foi preso em setembro de 2023 acusado de comandar a agressão de um devedor, inclusive com o uso de chicotes, em episódio registrado em vídeo que circulou nas redes sociais. Na época, ele foi liberado em audiência de custódia, considerando a situação familiar, incluindo um filho com espectro autista e a gravidez da esposa.
A Operação Datar
A investigação da Denarc apontou que o grupo teria movimentado cerca de R$ 185 milhões provenientes do tráfico de drogas. A operação cumpriu 67 mandados em Mato Grosso, São Paulo e Mato Grosso do Sul, incluindo prisões, bloqueio de contas, sequestro de veículos e buscas em empresas e residências.
Segundo a polícia, os recursos eram fracionados e transferidos entre contas de pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem ilícita do dinheiro, e familiares também estariam envolvidos nas movimentações financeiras suspeitas.
Rafael Geon de Souza segue respondendo ao processo, agora em liberdade, enquanto as investigações da Operação Datar continuam.