A família do idoso João Antônio Pinto, de 87 anos, morto a tiros durante uma suposta abordagem policial em fevereiro de 2024, em Cuiabá, voltou a manifestar expectativa por responsabilização criminal após o inquérito do caso retornar à análise do Ministério Público Estadual (MPE).
João Pinto foi morto no dia 23 de fevereiro, no hangar de sua propriedade, na região do Contorno Leste, no bairro Jardim Imperial. O disparo foi efetuado pelo policial civil Jeovanio Vidal Griebel, de 41 anos, que foi até o local após ser acionado pelo cunhado da vítima, Elmar Soares Inácio, com quem o idoso teria se desentendido pouco antes do ocorrido.
Segundo a filha da vítima, Gysela Maria Ribeiro Pinto, a retomada do caso pelo Ministério Público reacendeu a esperança da família por uma resposta concreta das autoridades. Ela afirmou que, passados quase dois anos, ainda não houve um desfecho e que o único desejo dos familiares é que a Justiça esclareça os fatos.
Gysela também descreveu o pai como um homem honesto, trabalhador e respeitado, e afirmou que houve falha do Estado na proteção dos direitos da família. Segundo ela, além da morte do idoso, os familiares enfrentam uma demora excessiva na condução do processo, o que classificou como negligência.
O promotor de Justiça Rinaldo Ribeiro de Almeida Segundo afirmou que o caso é tratado com preocupação pelo Ministério Público e explicou que ainda não é possível definir se haverá oferecimento de denúncia ou pedido de arquivamento. De acordo com ele, o órgão aguarda a conclusão da apuração da corregedoria em relação aos policiais envolvidos, além de informações complementares solicitadas à família da vítima.
O promotor ressaltou que a investigação não analisa a disputa fundiária existente na região, mas sim a legalidade da atuação policial que resultou na morte do idoso. Ele também destacou que a Polícia Civil não possui atribuição de policiamento ostensivo e que a diligência teria ocorrido a partir de um interesse particular, o que levanta questionamentos sobre a conduta adotada.
Durante o andamento do caso, a família passou a apontar contradições nos depoimentos apresentados. Uma delas diz respeito à versão de Elmar Soares Inácio, que afirmou ter sido ameaçado pela vítima. Dados de rastreamento do veículo de João Pinto indicam que o carro permaneceu parado por pouco mais de um minuto em cada ponto do trajeto, o que, segundo os familiares, não seria suficiente para que a sequência de eventos narrada tivesse ocorrido.
Outras inconsistências citadas incluem a ausência de imagens do momento exato do crime no equipamento de gravação do hangar e a alegação do policial de que teria deixado o local para buscar sinal telefônico, apesar de a região contar com cobertura adequada.
De acordo com laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), o disparo que atingiu João Pinto foi feito a aproximadamente 12 metros de distância, do lado externo do hangar. O idoso foi atingido no ombro direito e morreu no local.
