
A disputa interna no Primeiro Comando da Capital (PCC) ganhou novos contornos nesta quarta-feira (27), com a divulgação de uma nota oficial pela defesa de Roberto Soriano, Abel Pacheco de Andrade e Wanderson Nilton de Paula Lima. Os três foram aliados próximos de Marco Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, líder máximo da facção.
A nota contestou veementemente as recentes declarações do advogado de Marcola, que afirmou que as acusações contra seu cliente se baseavam em recortes parciais que distorcem a realidade.
A advogada Rafaella Xavier, responsável pela defesa de Soriano, Pacheco e Lima, afirmou que os áudios apresentados como prova são “autênticos, verídicos e de origem lícita”, gravados dentro da penitenciária por servidores públicos e reconhecidos como genuínos pela Justiça em diferentes instâncias. Esses registros foram admitidos como prova em dois júris populares que resultaram na condenação de Soriano a 76 anos de prisão. A defesa enfatizou que não há evidências de montagem, corte ou manipulação nos áudios, que foram apresentados em sua forma integral.
Nos áudios, Marcola aparece discutindo negociações com autoridades da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, referindo-se ao diretor do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) como seu “pai” e mencionando acordos com o Estado para manter a paz nos presídios. Essas gravações foram consideradas pela facção como um ato de “traição” e têm sido usadas como base para acusações contra Marcola.
A crise interna no PCC é considerada a maior desde a fundação da facção criminosa. A tentativa de familiares de Marcola de retirar reportagens que tratam do racha na internet foi negada pela Justiça. Além disso, advogados ligados ao caso foram acusados de ocultar áudios que colocam o líder máximo do grupo como “traidor”.
A nota divulgada pela defesa de Soriano, Pacheco e Lima reafirma que as provas apresentadas refletem “a verdade dos autos e da realidade processual, não podendo ser desqualificadas como distorções ou recortes parciais”. O documento foi emitido em respeito à verdade, à Justiça e ao direito constitucional de resposta.
A situação continua a se desenrolar, com implicações significativas para a estrutura interna do PCC e para o sistema de justiça brasileiro.