Um medicamento ainda em fase de testes para tratamento da obesidade passou a ser comercializado de forma clandestina no Brasil, levando autoridades sanitárias e especialistas a emitirem alertas sobre os riscos do uso de produtos falsificados.
Especialistas da área da saúde e autoridades sanitárias emitiram alerta sobre a circulação irregular da retatrutida, substância que ainda está em fase de estudos clínicos para o tratamento da obesidade e de distúrbios metabólicos. Mesmo sem aprovação de agências reguladoras como a Anvisa, o produto já é encontrado no Brasil em versões falsificadas, principalmente por meio de vendas pela internet.
A molécula despertou interesse da comunidade científica após apresentar resultados relevantes em ensaios clínicos, com relatos de perda de mais de 28 por cento do peso corporal. Esse potencial terapêutico, no entanto, também impulsionou o mercado ilegal, que passou a ofertar canetas supostamente contendo retatrutida, apesar de o medicamento não possuir nome comercial nem registro em órgãos reguladores no Brasil ou no exterior.
A farmacêutica Eli Lilly, responsável pelo desenvolvimento da substância, e as autoridades de saúde afirmam que qualquer forma de comercialização da retatrutida neste momento é considerada fraudulenta. Não há garantia sobre a origem nem sobre a composição dos produtos vendidos, o que impede a verificação do que realmente está sendo aplicado nos consumidores.
Apreensões realizadas apontam que muitas dessas canetas falsas contêm insulina reembalada, substâncias sem efeito terapêutico ou até componentes contaminados, o que representa risco elevado à saúde. O problema é agravado pelo aumento de produtos contrabandeados e por formulações incompatíveis com as dosagens utilizadas nos estudos científicos.
Casos semelhantes já foram registrados com outros medicamentos da mesma classe, como a tirzepatida, reforçando o alerta das autoridades sobre os perigos do consumo de medicamentos adquiridos fora dos canais oficiais. Órgãos de fiscalização destacam que a compra deve ocorrer apenas em farmácias e drogarias regularizadas, com prescrição e acompanhamento profissional.
Nesse contexto, especialistas ressaltam o papel dos farmacêuticos na orientação da população, no combate à desinformação e na promoção do uso seguro de medicamentos, diante da proliferação de produtos irregulares no mercado.
