Durante viagem oficial à Indonésia nesta sexta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou as ações dos Estados Unidos no combate ao tráfico internacional e afirmou que os narcotraficantes também são vítimas dos usuários de drogas.
A declaração foi feita após Lula ser questionado sobre a comparação feita pelo presidente Donald Trump, que equiparou os cartéis latino-americanos ao Estado Islâmico.
“Toda vez que a gente fala em combater drogas, possivelmente era mais fácil combater os nossos viciados internamente. Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também. Ou seja, tem gente que vende porque tem gente que compra, e vice-versa. É preciso ter mais cuidado no combate à droga”, afirmou o presidente brasileiro.
Lula ainda criticou a postura norte-americana de propor o enfrentamento direto aos cartéis em território estrangeiro. “Você não pode simplesmente dizer que vai invadir e combater o narcotráfico na terra dos outros sem levar em conta a constituição de outro país, a autodeterminação dos povos e a soberania territorial”, disse.
Para o petista, a fala de Trump “falta compreensão sobre política internacional”. Apesar das divergências, Lula afirmou ter interesse em discutir o tema pessoalmente com o presidente americano, destacando que “não há vetos” sobre os assuntos que serão tratados entre ambos.
Os dois líderes devem se encontrar neste domingo (26), na Ásia — o primeiro encontro formal desde que trocaram breves cumprimentos durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro. Lula afirmou estar confiante em um possível acordo comercial e diplomático entre Brasil e Estados Unidos, citando o desejo de superar divergências sobre tarifas e medidas econômicas.
Após os compromissos na Indonésia, o presidente seguiu viagem para a Malásia, onde cumpre a segunda etapa de sua agenda na Ásia.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rebateu as críticas de produtores de gado norte-americanos e afirmou que o bom momento econômico do setor é resultado direto das tarifas impostas por seu governo sobre a importação de carne bovina de outros países, incluindo o Brasil.
“Os pecuaristas, que eu amo, não entendem que a única razão pela qual estão indo bem, pela primeira vez em décadas, é porque eu impus tarifas sobre o gado que entra nos EUA, incluindo uma tarifa de 50% sobre o Brasil”, escreveu Trump em sua rede social.
Ele acrescentou ainda que os produtores deveriam reconhecer sua política comercial e se esforçar para reduzir os preços ao consumidor: “Seria bom se eles entendessem isso, mas também precisam baixar os preços, porque o consumidor é um fator muito importante, na minha opinião.”
As declarações vieram após produtores rurais criticarem o presidente, que no domingo (19) afirmou considerar importar carne bovina da Argentina como forma de conter a disparada dos preços do produto nos Estados Unidos — atualmente em níveis recordes.
O comentário gerou insatisfação entre os pecuaristas, que têm obtido lucros expressivos com os preços elevados e a forte demanda interna.
Economistas avaliam que a entrada de carne argentina não deve reduzir significativamente os preços no mercado americano, mas pode desestimular os produtores dos EUA a ampliar seus rebanhos.
Atualmente, o país enfrenta o menor número de cabeças de gado em quase 75 anos, reflexo de uma longa seca que prejudicou pastagens e elevou os custos de alimentação.
