
Durante a instalação da Mesa Técnica que discute o superendividamento do funcionalismo público estadual, realizada na tarde de segunda-feira (26) no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE), o comportamento de deputados estaduais chamou atenção: boa parte deles foi flagrada usando o celular enquanto uma técnica do Tribunal de Justiça relatava a situação crítica vivida por servidores atolados em dívidas.
Participaram da reunião os deputados Paulo Araújo (PP), Wilson Santos (PSD), Lúdio Cabral (PT), Henrique Lopes (PT), Janaina Riva (MDB) e Eduardo Botelho (União Brasil). Destes, apenas Botelho demonstrou atenção ao debate, mantendo os olhos voltados para a mesa enquanto os colegas dividiam a atenção entre mensagens, redes sociais e a fala da representante do Judiciário.
A atitude repercutiu negativamente entre representantes sindicais e servidores presentes, que esperavam mais comprometimento diante de um tema tão delicado. O encontro teve como objetivo iniciar a elaboração de uma proposta de regulamentação mais rigorosa para a concessão de empréstimos e cartões consignados, considerados principais causas do descontrole financeiro de muitos servidores públicos estaduais.
A técnica do Tribunal de Justiça que discursava no momento da dispersão parlamentar abordava exatamente os impactos sociais e emocionais do endividamento excessivo, e pedia atenção dos agentes públicos para medidas mais humanas e eficazes.
Fotografias do momento circulam entre servidores e sindicatos como um exemplo do descaso com que o tema ainda é tratado por parte da classe política. Para quem sofre na ponta, o desinteresse explícito é mais um golpe: “Mexer no celular enquanto uma servidora explica como colegas estão adoecendo por causa de dívidas é desumano”, resumiu um representante sindical que acompanhava a reunião.
Apesar do clima tenso, a reunião deu início aos trabalhos da Mesa Técnica, que deverá apresentar uma proposta concreta de regulamentação nas próximas semanas. A expectativa é de que haja envolvimento real do Legislativo e do Executivo para conter o avanço do endividamento, garantir proteção aos servidores e punir abusos praticados por instituições financeiras.
Parabéns a equipe jornalística pela observação. Maior parte da comunicado já está corrompida, jamais divulgaria essa bela imagem da situação atual dos nossos representantes.