Após decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) que anulou a sua inelegibilidade por oito anos, a ex-vereadora Edna Sampaio (PT) afirmou que pretende dialogar com aliados antes de definir os próximos passos de sua trajetória política. Ela não descarta disputar as eleições do próximo ano, mas ressaltou que, neste momento, a prioridade é se recuperar do desgaste vivido nos últimos meses.
Em entrevista concedida na última terça-feira (9), Edna relatou que o processo que resultou em sua cassação, em junho de 2024, trouxe impactos profundos à sua saúde física e emocional. Segundo ela, o período foi marcado por exaustão e adoecimento, o que a levou a decidir por uma pausa antes de qualquer nova movimentação eleitoral.
Durante todo o andamento do caso, a petista sustentou que foi alvo de perseguição política e violência de gênero. Com a decisão judicial favorável, Edna afirmou que o maior dano causado pelo processo foi à sua reputação, algo que considera seu patrimônio mais valioso.
A ex-vereadora também revelou mágoa em relação às parlamentares Maysa Leão (Republicanos) e Michelly Alencar (União), que tiveram atuação destacada no processo de cassação. Segundo Edna, houve uma tentativa deliberada de desmoralizá-la e inviabilizar sua atuação política.
Atualmente, Edna Sampaio é suplente do deputado estadual Lúdio Cabral (PT) e chegou a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) por cerca de três meses, durante licença do titular.
A Câmara Municipal de Cuiabá cassou o mandato de Edna em 6 de junho de 2024, com 19 votos favoráveis, um contrário e cinco ausências. O vereador Renivaldo Nascimento (PSDB) foi o único a votar contra o relatório. A decisão resultou, à época, na declaração de inelegibilidade por oito anos.
O processo teve como base a acusação de quebra de decoro parlamentar, envolvendo o repasse de valores referentes à verba indenizatória da então chefe de gabinete, Laura Natasha de Oliveira. Prints de conversas vazadas indicaram transferências que somariam ao menos R$ 20 mil. Edna alegou que os recursos eram utilizados para custear despesas do mandato por meio de uma única conta.
Essa foi a segunda cassação da parlamentar. Na primeira, o processo foi posteriormente anulado pela Justiça devido a falhas procedimentais, como excesso de prazo e cerceamento de defesa.

