
Felca
A Polícia Civil de São Paulo confirmou nesta segunda-feira (25) a prisão de um homem acusado de ameaçar o youtuber Felca. A captura foi autorizada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), após ordem que determinou ao Google o fornecimento dos dados do e-mail utilizado para enviar as mensagens intimidatórias.
De acordo com as investigações, além das ameaças — incluindo de morte —, o suspeito também armazenava e comercializava material infantil ilegal em redes sociais. O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, elogiou a operação e destacou a importância da cooperação digital para localizar o autor.
As intimidações começaram no início de agosto, após Felca publicar um vídeo que viralizou ao denunciar casos de pedofilia e a chamada “adultização” de crianças na internet. O youtuber criticou a exposição precoce de menores e mencionou nomes de influenciadores investigados, entre eles Hytalo Santos, preso desde 15 de agosto por suspeitas de tráfico humano e exploração sexual infantil.
A Justiça paulista autorizou a quebra de sigilo de dados do autor das ameaças diante do “risco concreto à integridade física” do criador de conteúdo.
Para especialistas, a discussão traz à tona um problema social profundo. O psiquiatra Fábio Aurélio Leite, da ABP, explica que a adultização infantil vai além das redes: “ocorre quando crianças são levadas a adotar comportamentos e responsabilidades típicas de adultos, muitas vezes com conotações sexuais, para as quais não têm maturidade”.
Apesar dos riscos, Felca declarou que seguirá sua missão de conscientização. O episódio repercutiu no Senado, que aprovou a criação de uma CPI da Adultização, destinada a investigar o fenômeno em todo o país.