A Polícia Rodoviária Federal deteve, na BR-262, em Campo Grande (MS), familiares de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, de 38 anos, um dos traficantes mais procurados do Rio de Janeiro. A abordagem ocorreu nesta segunda-feira, após a PRF ser acionada pela Polícia Civil, que monitorava os deslocamentos da família e havia recebido indícios de que o criminoso poderia tentar fugir do país.
Nos dois veículos interceptados estavam a esposa, os três filhos e um sobrinho do traficante, além dos motoristas. Embora houvesse suspeita de que Peixão pudesse estar escondido entre os passageiros, ele não foi localizado. Todos foram levados inicialmente para a Polícia Federal, prestaram esclarecimentos e foram liberados.

Durante a vistoria, os policiais encontraram diversas joias com referências diretas ao foragido e à facção que ele lidera. Havia peças como um cordão de ouro com estrela de Davi, uma insígnia com a inscrição Israel Defense Force e a sigla IDF, além de anéis, pulseiras e relógios — alguns da marca Michael Kors. O sobrinho de Peixão alegou ser o dono de todos os itens. A PRF informou suspeitar de lavagem de dinheiro e ocultação de bens ligados à organização criminosa.
Segundo o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, o alerta foi emitido quando agentes identificaram movimentação atípica dos carros monitorados. A partir disso, a PRF foi acionada para impedir que o grupo chegasse a Corumbá, município que faz fronteira com a Bolívia. A investigação segue em conjunto com a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO).
Os motoristas afirmaram ter sido contratados por um conhecido que vive na Bolívia para transportar a família do Rio de Janeiro até a fronteira. Eles relataram ter viajado de avião para a capital fluminense e, após pernoitar, seguido viagem rumo ao Mato Grosso do Sul.
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Cordão de ouro com estrela de Davi e inscrição “Israel Defense Force” está entre as joias apreendidas com família de Peixão — Foto: Divulgação
Quem é Peixão
Peixão acumula 79 anotações criminais e responde a 26 processos no Tribunal de Justiça do Rio, mas nunca foi preso. De perfil violento, ele controla cinco comunidades da Zona Norte carioca — Vigário Geral, Parada de Lucas, Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas — área batizada por ele de Complexo de Israel e vigiada por cerca de 200 fuzis. Recentemente, a Polícia Federal descobriu que sua quadrilha comprava armas e equipamentos ilegais pela internet, entregues diretamente nas áreas dominadas.
Além de ordenar homicídios e impor taxas a comerciantes, o traficante é acusado de intolerância religiosa. Moradores relatam proibições, destruição de terreiros e até restrições a festas católicas no entorno das comunidades controladas por sua facção, o Terceiro Comando Puro. Para marcar território, ele costuma ostentar bandeiras de Israel e símbolos religiosos nos muros. Uma grande estrela de Davi instalada no Complexo de Israel foi derrubada durante operação recente da polícia.
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Joia apreendida com parentes de Peixão com a inscrição!Mano Arão” — Foto: Divulgação
A violência imposta pelo grupo é conhecida. Peixão pune desafetos com execuções e persegue infiltrações nas comunidades. Foi um dos primeiros criminosos do Rio a usar drones de vigilância para monitorar operações policiais.
Operações frustradas e risco constante
A dificuldade em capturar o traficante se repete há anos. Em fevereiro, uma operação emergencial na Cidade Alta provocou caos na região, com fechamento da Avenida Brasil e quatro pessoas baleadas. Em outubro do ano passado, um tiroteio durante outra ação policial deixou três mortos e três feridos, forçando a PM a recuar.
Após esse episódio, autoridades relataram que os agentes estavam muito próximos de um alvo estratégico, o que levou integrantes da facção a atirar contra civis para interromper a operação. Desde então, Peixão também passou a ser investigado por terrorismo.
A caçada ao traficante permanece ativa, agora reforçada pela suspeita de fuga internacional e pelas novas frentes de investigação sobre lavagem de dinheiro envolvendo sua família.
