
O Governo Lula enfrenta críticas por uma postura considerada contraditória em sua política digital. Enquanto o Planalto trabalha em um projeto de lei para regulamentar redes sociais e combater desinformação e discursos de ódio, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) se posicionou contra a suspensão do Discord no Brasil. A plataforma tem sido alvo de denúncias por ser usada em crimes graves, como a organização de ataques violentos e exibição de conteúdos ilegais.
Em manifestação enviada ao Ministério Público Federal (MPF), o MJSP reconhece as dificuldades do Discord na moderação de conteúdo e na identificação de comportamentos extremistas, mas ressalta que a plataforma “tem colaborado efetivamente com as autoridades brasileiras”.
O posicionamento contrasta com a linha dura do governo em relação a outras empresas, como X (antigo Twitter) e Meta, acusadas de disseminar fake news e descumprir ordens judiciais.
A ação contra o Discord foi proposta pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), que pediu a suspensão imediata do serviço até que ele se adeque à legislação nacional. O caso mais recente envolveu três jovens monitorados pela polícia por cinco meses que planejavam matar um morador de rua e transmitir o crime ao vivo na plataforma, com transmissões chegando a reunir até 150 pessoas simultaneamente.
Para especialistas, a decisão do MJSP evidencia seletividade e levanta dúvidas sobre os critérios que o governo adotará na futura regulação digital, reforçando questionamentos sobre coerência e consistência na fiscalização das redes sociais no país.