Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Durante a campanha eleitoral de 2022, o então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente o uso do chamado “sigilo de 100 anos”. Na ocasião, em publicações nas redes sociais, afirmou que “qualquer coisa é sigilo de 100 anos” e prometeu que, se eleito, acabaria com o mecanismo, defendendo maior investigação e transparência. O discurso foi direcionado ao então presidente Jair Bolsonaro e utilizado como símbolo de compromisso com a divulgação de informações públicas.

Três anos após assumir o governo, os números indicam mudança na prática. Apenas em 2025, conforme levantamento do Estadão, a gestão federal já determinou 77 pedidos de sigilo de 100 anos, repetindo e, em alguns casos, ampliando a prática criticada durante a campanha. O mecanismo, antes criticado, passou a ser aplicado a documentos e informações de interesse público, reacendendo questionamentos sobre coerência entre discurso eleitoral e ações do governo.
O episódio gera debate sobre a transparência na administração pública. Enquanto a promessa de reduzir o sigilo e ampliar o acesso à informação era uma das bandeiras da campanha, o uso recorrente do sigilo de 100 anos indica que a prática permanece como política administrativa. Especialistas afirmam que a medida, embora legal, pode limitar o acesso a dados relevantes e dificultar a fiscalização das ações do Executivo.
A questão central permanece: por que o sigilo era considerado inaceitável sob o governo anterior e passou a ser adotado de forma sistemática pela atual gestão? O tema deve continuar sendo debatido à medida que cresce a preocupação sobre equilíbrio entre sigilo administrativo e transparência pública.
