Veio a público nesta quarta-feira (14) a conexão entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente preso em Brasília por envolvimento na suposta tentativa de golpe de Estado. A revelação ocorre em meio ao avanço de uma investigação da Polícia Federal que apura um amplo esquema de fraude financeira.
Segundo a Folha de S.Paulo, o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi preso ao tentar deixar o Brasil em um jato particular com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A ação faz parte de uma nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.
Zettel já estava no radar dos investigadores por integrar o círculo mais próximo de Daniel Vorcaro. O banqueiro também teria tentado sair do país em novembro do ano passado. Para a Polícia Federal, a prisão temporária do pastor foi necessária para garantir o sigilo das investigações e evitar a destruição de provas ou fuga de envolvidos.
As apurações indicam que o grupo investigado teria montado um esquema de captação de recursos junto a investidores, desviando parte do dinheiro para patrimônio pessoal, enquanto outra parcela era aplicada em fundos para dar aparência de legalidade às operações. Nesta etapa da operação, estão sendo cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio e sequestro de bens que ultrapassam R$ 5,7 bilhões.
A ligação de Zettel com Jair Bolsonaro também chama atenção dos investigadores. Além de ser pastor da Igreja Lagoinha, liderada por André Valadão e conhecida por sua proximidade com o bolsonarismo, Zettel foi o maior doador individual da campanha de Bolsonaro em 2022. Ele repassou R$ 3 milhões ao então candidato à Presidência e mais R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo.
A legislação eleitoral permite que pessoas físicas doem até 10% de sua renda anual, o que indica que Zettel movimenta valores milionários. Ele também é sócio de empreendimentos de alto padrão, como a rede de açaí Oakberry e a academia de luxo Les Cinq.
Com o avanço da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal busca agora mapear as conexões financeiras e políticas do grupo, além de aprofundar a apuração sobre a possível utilização de recursos ilícitos para financiar campanhas e consolidar influência nos bastidores do poder.

