Um jovem de 26 anos, identificado como Ronald Maia da Silva, morreu após consumir açaí contaminado por fezes do inseto barbeiro, transmissor da doença de Chagas, no município de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, no Pará. O caso ocorreu no dia 31 de dezembro, e a causa da morte foi confirmada oficialmente na quarta-feira (7).
De acordo com as investigações, Ronald começou a apresentar sintomas e complicações relacionadas à doença de Chagas no início de dezembro. Ele chegou a buscar atendimento médico em duas unidades de saúde, mas, sem um diagnóstico conclusivo, retornou para casa.
No dia 27 de dezembro, o jovem foi internado no Pronto-Socorro da Augusto Montenegro, onde permaneceu hospitalizado por sete dias. Apesar do acompanhamento médico, o quadro de saúde evoluiu de forma grave, e ele morreu na última noite de 2025.
Em nota, a Prefeitura de Ananindeua informou, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), que recebeu a notificação do óbito, ocorrido em uma unidade de saúde fora do município. Segundo o órgão, ainda aguarda a complementação das informações para o esclarecimento completo do caso.
“No momento, a Secretaria aguarda a complementação das informações para o devido esclarecimento do caso”, informou a Sesau.
A prefeitura destacou ainda que a Vigilância em Saúde já iniciou a investigação local, seguindo os protocolos vigentes, e que acompanha a situação prestando apoio às tratativas junto aos órgãos competentes.
Vigilância reforçada após a morte
Após a confirmação do óbito, a Secretaria Municipal de Saúde de Belém intensificou as ações de vigilância e prevenção da doença de Chagas, com foco na segurança alimentar da cadeia produtiva do açaí. As medidas buscam reduzir riscos de contaminação e fortalecer a identificação precoce de casos na Região Metropolitana de Belém.
As ações são conduzidas pela Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) e incluem fiscalização sanitária, educação em saúde e orientação aos produtores e comerciantes.
Um dos principais pilares dessas iniciativas é o projeto “Açaí no Ponto”, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA). O projeto já georreferenciou mais de 1.870 pontos de processamento e comercialização de açaí na capital paraense, ampliando significativamente o mapeamento, que inicialmente contava com apenas 111 registros.
A iniciativa contempla pontos localizados em bairros, feiras e áreas periféricas, além da capacitação de batedores de açaí sobre boas práticas de processamento, como o branqueamento, método considerado eficaz para eliminar o Trypanosoma cruzi, protozoário causador da doença de Chagas.
