O julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado de feminicídio e duplo homicídio pela morte da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian César Moreno, deve ficar para 2026. O avanço do calendário judicial e o recesso do Judiciário, que começa em 20 de dezembro, impossibilitam a realização do Tribunal do Júri ainda neste ano, mesmo que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso decida nas próximas semanas sobre o mais recente pedido da defesa.
Em agosto, o TJ já havia negado por unanimidade a tentativa da defesa de retirar o réu do julgamento pelo Tribunal do Júri. Entretanto, um novo pedido — o de desaforamento, que solicita a transferência do julgamento para outra cidade — ainda está pendente de análise.
O desaforamento é solicitado quando a defesa entende que a repercussão pública ou a opinião popular podem comprometer a imparcialidade do julgamento. Até que haja definição sobre o local, não é possível marcar a data do júri. O processo está sob relatoria do desembargador Paulo Sergio Carreira, das Câmaras Criminais Reunidas. Atualmente, Carlinhos Bezerra está preso no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
A trajetória do processo tem sido marcada por idas e vindas. Em novembro de 2023, o réu chegou a ser colocado em liberdade, com tornozeleira eletrônica, por decisão do desembargador José Zuquim Nogueira, que considerou não haver elementos suficientes para comprovar periculosidade. A medida foi revogada em fevereiro de 2024, após o Ministério Público denunciar que ele descumpriu as condições impostas e circulou pela cidade quando deveria estar em casa.
Outros pedidos posteriores, como o de prisão domiciliar por problemas de saúde, também foram negados pelo Tribunal, que ressaltou que as condições médicas alegadas eram eletivas e não urgentes, além do histórico de descumprimento de decisões judiciais.
O caso ganhou grande repercussão em Mato Grosso. Carlinhos Bezerra foi preso em 18 de janeiro de 2023, após ser localizado em uma fazenda da família em Campo Verde. A investigação apontou que ele monitorava a ex-companheira e armazenava dezenas de prints de geolocalização dos locais frequentados por ela, comportamento iniciado ainda durante o relacionamento. Thays havia registrado boletim de ocorrência contra o ex antes do crime. Ele a surpreendeu no prédio onde ela havia ido devolver o carro emprestado da mãe, pouco antes de buscar o namorado no aeroporto.
