A Justiça de Mato Grosso condenou 12 pessoas envolvidas no esquema criminoso desarticulado pela Operação Jumbo, da Polícia Federal. As sentenças, somadas, ultrapassam 130 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A decisão foi assinada na última sexta-feira (9) pela juíza Raíssa da Silva Santos Amaral, da 4ª Vara Criminal de Cáceres.
O processo apurou a atuação de um grupo estruturado que operava principalmente na região de fronteira com a Bolívia, utilizando empresas de fachada e movimentações financeiras irregulares para ocultar recursos obtidos com o tráfico de entorpecentes. Segundo a investigação, o esquema tinha ramificações nos setores de transporte, turismo e combustíveis, usados para dar aparência legal ao dinheiro ilícito.
As penas mais altas foram aplicadas a Fernando da Silva Porto e Tcharles Rodrigo Ferreira de Moraes, apontados como líderes e operadores centrais da organização. Cada um foi condenado a 25 anos e 7 meses de reclusão em regime fechado.
A empresária Kesia Morais Cardeal foi a única ré absolvida. Com a decisão, a Justiça determinou o fim de todas as medidas cautelares contra ela, incluindo o desbloqueio de bens e valores que haviam sido retidos durante a investigação.
Na sentença, a magistrada destacou que as provas reunidas ao longo do processo, como relatórios técnicos, quebras de sigilo e depoimentos, foram suficientes para demonstrar a participação dos demais acusados nos crimes. Ela ressaltou ainda que, no caso de organização criminosa, a lei considera o delito consumado mesmo que todos os crimes planejados pelo grupo não tenham sido efetivamente realizados.
Além das condenações, a decisão determinou a destruição das drogas apreendidas e a abertura de procedimentos específicos para definir o destino dos bens e valores bloqueados ao longo da operação.
Segundo a Polícia Federal, o grupo movimentou cerca de R$ 350 milhões em quatro anos por meio do tráfico internacional de drogas e da lavagem de capitais. A cocaína era adquirida na região de Porto Esperidião, armazenada em Mirassol d’Oeste e distribuída para Cuiabá e outros municípios. Postos de combustíveis na capital também eram usados para disfarçar a origem do dinheiro, por meio de transações financeiras incompatíveis com a atividade declarada.
