Meses antes de desaparecer, o motorista de aplicativo Francicleiton Pereira Costa, encontrado sem vida nesta sexta-feira (16), já era citado em mensagens de cobrança enviadas à esposa e a uma cunhada. Nas mensagens, um homem afirmava que a vítima teria uma dívida em aberto. A informação foi repassada pela esposa à polícia no momento do registro de ocorrência, diante da suspeita sobre as circunstâncias da última corrida realizada pelo marido.
De acordo com o relato, na noite de quinta-feira (15), por volta das 22h, Francicleiton informou que iria buscar um passageiro no Aeroporto de Cuiabá/Várzea Grande, com destino à BR, nas proximidades do Trevo do Lagarto. Inicialmente, nada indicava anormalidade. Com o passar do tempo, porém, a esposa percebeu que o motorista demonstrava nervosismo durante as ligações, embora insistisse em dizer que estava bem.
A preocupação aumentou quando, em uma das chamadas, a esposa ouviu uma voz ao fundo, aparentemente orientando Francicleiton sobre o que deveria responder. Em outra tentativa de contato, ela chegou a dizer que a filha do casal estaria passando mal, mas não notou qualquer alteração na reação do marido, reforçando a sensação de que ele não tinha liberdade para falar.
Após esse contato, o telefone do motorista passou a ligar e desligar repetidamente ao longo da madrugada, até que o sinal foi perdido. Sem novas informações, a esposa procurou a delegacia para registrar o desaparecimento, temendo pela integridade de Francicleiton.
Durante as diligências, o carro utilizado por ele, um Toyota Etios alugado e com rastreador, foi localizado na manhã desta sexta-feira completamente carbonizado no bairro Novo Mundo, em Cuiabá. No local, não havia indícios do paradeiro do motorista.
Horas depois, o Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) confirmou a localização do corpo de Francicleiton em um imóvel na região do Paiaguás, em Várzea Grande. Ele apresentava sinais de violência e estava com as mãos amarradas. A cena indicava agressões, com grande quantidade de sangue e pedras espalhadas pelo local.
A causa da morte ainda não foi confirmada. O caso é investigado pela DHPP como homicídio consumado, sob a condução da delegada adjunta Jéssica Assis.
