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Mato Grosso acompanha uma tendência nacional de reconfiguração religiosa. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o número de evangélicos no estado cresceu 24,5% nos últimos 12 anos, passando de 745 mil em 2010 para 927.714 pessoas. Isso representa quase 30% da população mato-grossense.
No mesmo período, o número de católicos caiu de 1,9 milhão para 1,7 milhão, uma queda de 8,8%. Ainda assim, o catolicismo segue como a religião com maior número de fiéis, abrangendo 56,7% da população.
A virada, no entanto, já é realidade em alguns municípios. Em Rondolândia, 45% da população se declara evangélica e 42% católica. Em Colniza, os números são 44% e 40%, respectivamente. Em contrapartida, há cidades com forte predominância católica, como Nossa Senhora do Livramento e Novo Horizonte do Norte (ambas com 78% de católicos), além de Rosário Oeste (77%), Glória D’Oeste (76%) e Barão de Melgaço (75%).
Igreja Presbiteriana de Cuiabá e o início da expansão evangélica
Na série especial “Templos da Fé Cuiabana”, em destaque nesta semana, é contada a história da Igreja Presbiteriana de Cuiabá, considerada a primeira igreja evangélica da região. Fundada há pouco mais de um século, ela surgiu em um ambiente fortemente católico, enfrentando resistência e desconfiança no início do século 20. (Leia mais na Página 1B)
Aspectos sociais e políticos
Para o historiador Suelme Fernandes, a mudança no perfil religioso reflete não apenas maior liberdade de escolha da população, mas também um processo de democratização das crenças. “Talvez isso seja um reflexo do direito de escolha. O povo brasileiro está tendo mais liberdade para escolher sua fé, sem medo de repressão ou preconceito”, afirma.
O historiador também ressalta a influência da política no avanço evangélico. “Jair Bolsonaro foi o primeiro presidente a se alinhar abertamente aos evangélicos, o que impulsionou sua presença no poder e no debate público. Isso contribuiu para ampliar a atuação social das igrejas evangélicas.”
Segundo ele, os cultos evangélicos têm mais apelo popular por serem mais diretos, dinâmicos e voltados aos dilemas cotidianos — como questões financeiras, familiares e afetivas —, enquanto a Igreja Católica enfrenta dificuldades para dialogar com as novas gerações. “Ela ainda está muito presa a rituais antigos e envelhecida em sua estrutura. Os evangélicos, por outro lado, se adaptam melhor à linguagem das redes sociais e às mudanças comportamentais.”
Suelme conclui com um alerta: “A construção cultural do Brasil está fortemente ligada ao catolicismo, mas talvez estejamos perto do momento em que ele deixará de ser a religião dominante no país que já foi conhecido como o mais católico do mundo.”
Fonte- A Gazeta