
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, na manhã desta quinta-feira (12), a suspensão imediata da venda, distribuição e uso de dez lotes da fórmula infantil Alfamino 400g, produzida pela Nestlé Brasil Ltda. A medida consta na Resolução-RE nº 521 e tem validade em todo o território nacional.
Segundo a agência, análises laboratoriais identificaram níveis de iodo e selênio acima dos limites máximos permitidos pela legislação brasileira. O recolhimento dos produtos é obrigatório e inclui também a proibição de propaganda e da importação dos lotes afetados.
O Alfamino é uma fórmula à base de aminoácidos livres, indicada para lactentes e crianças de primeira infância com necessidades dietoterápicas específicas, como alergia severa à proteína do leite de vaca e intolerância à lactose. Por atender um público extremamente sensível, o produto deve seguir padrões nutricionais rigorosos.
De acordo com a Anvisa, os testes apontaram concentração de selênio de 31,1 microgramas por 100 kcal e de iodo de 175,7 microgramas por 100 kcal nos lotes interditados — valores superiores ao teto estabelecido por normas sanitárias, como a RDC nº 655/2022.
A agência ressaltou que o excesso desses micronutrientes pode representar riscos à saúde dos bebês, cujos sistemas metabólicos ainda estão em desenvolvimento. A infração configura descumprimento das regras que estabelecem padrões de segurança para alimentos infantis.
Confira os lotes que não devem ser consumidos:
50310017Y2
51060017Y1
50720017Y1
50710017Y4
50290017Y1
50280017Y2
43510017Y1
43480017Y2
43110017Y2
41730017Y2
Pais e responsáveis que tenham latas do produto devem verificar o código impresso na embalagem, geralmente localizado no fundo da lata. Caso o lote esteja na lista, a orientação é interromper imediatamente o uso e procurar o pediatra ou nutricionista que acompanha a criança para definir uma alternativa segura.
A troca ou o reembolso devem ser solicitados diretamente ao Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Nestlé.
Riscos clínicos e possíveis complicações
Especialistas em gastropediatria e nutrição infantil alertam que o problema vai além da toxicidade imediata por excesso de minerais. Segundo os médicos consultados, concentrações elevadas podem provocar desequilíbrio na absorção de outros nutrientes essenciais, fenômeno conhecido como inibição competitiva.
O intestino do bebê utiliza transportadores compartilhados para absorver minerais. Quando há excesso de selênio, por exemplo, parte desses transportadores pode ser ocupada de forma desproporcional, reduzindo a absorção de elementos como zinco e cobre. O resultado pode ser um enfraquecimento da barreira intestinal.
Os especialistas também apontam um risco indireto relevante: o excesso de iodo pode interferir temporariamente no funcionamento da tireoide. A redução dos hormônios tireoidianos pode diminuir a motilidade intestinal, favorecendo distensão abdominal e proliferação de bactérias nocivas.
Em bebês com intestino já sensibilizado por alergias alimentares, esse cenário pode aumentar a vulnerabilidade a complicações graves, como a Enterocolite Necrosante, uma condição inflamatória que afeta principalmente recém-nascidos.
Diante do alerta, a recomendação é que qualquer sinal de desconforto, distensão abdominal, alterações nas fezes ou no comportamento do bebê seja comunicado imediatamente ao médico responsável.