
A rejeição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os eleitores evangélicos segue sendo um dos principais obstáculos políticos para o governo às vésperas da eleição presidencial de 2026. Pesquisas recentes indicam que, apesar das tentativas de aproximação, o petista enfrenta forte resistência nesse segmento tradicionalmente conservador, que demonstra preferência por candidatos de direita ou centro.
Dados inéditos de pesquisa do Datafolha mostram que Lula continua estagnado ou em queda entre os evangélicos, enquanto o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registra crescimento de apoio nessa mesma base. Assessores da Presidência indicam que dificilmente haverá mudança significativa nesses números antes do pleito.
A resistência evangélica ao presidente não é algo novo e remonta às eleições de 2022, quando esse grupo já demonstrou forte oposição ao projeto político de Lula. Evangélicos representam cerca de 26,9% da população brasileira, de acordo com o IBGE, e, apesar de não serem maioria demográfica, possuem elevada capacidade de mobilização eleitoral.
O desgaste na relação com esse eleitorado ficou ainda mais evidente após episódios polêmicos envolvendo representações culturais e sociais que desagradaram ao público conservador. Um exemplo citado por aliados do Planalto foi o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, cujo enredo com uma ala criticando valores da família tradicional foi associado por muitos evangélicos à imagem de Lula, intensificando o descontentamento.
Para mitigar a rejeição, o governo tem buscado uma série de gestos e interlocuções com líderes evangélicos. Entre as iniciativas estão:
Recepção a pastores e líderes de igrejas para diálogo no Palácio do Planalto;
Cerimônia oficial para a sanção do Dia Nacional do Gospel;
Indicação de figuras identificadas com o segmento, como o advogado evangélico Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Apesar dessas ações, a avaliação dentro do Planalto é de que o impacto sobre a opinião desse público tem sido limitado, e os esforços não se traduziram em melhora expressiva nas pesquisas de intenção de voto ou de rejeição.
A rejeição sólida entre evangélicos representa um desafio que pode influenciar diretamente o resultado da eleição presidencial. Embora o governo tente ampliar sua penetração política nesse grupo, setores mais conservadores continuam a se alinhar com candidaturas que rejeitam pautas associadas à esquerda ideológica.
Para os estrategistas eleitorais de Lula, a mobilização de outros segmentos e a manutenção de apoios tradicionais serão fundamentais para compensar o desgaste entre os evangélicos, sobretudo em um cenário de concorrência acirrada com lideranças que buscam consolidar seu espaço como alternativa ao atual governo.