
A menção pública ao estado de saúde de uma paciente com câncer durante sessão da Câmara Municipal de Várzea Grande gerou forte repercussão e motivou manifestação oficial da Associação de Apoio aos Pacientes Oncológicos. A entidade divulgou nota de repúdio após o presidente do Legislativo, Wanderley Cerqueira (MDB), citar o diagnóstico da secretária municipal de Comunicação, Paola Carlini, ao anunciar sua convocação para prestar esclarecimentos.

Durante a sessão, ao abordar questionamentos relacionados a contratos da prefeitura, o parlamentar afirmou que, apesar da doença enfrentada pela gestora, ela deveria comparecer à Casa para prestar informações. A declaração provocou reação imediata de representantes da causa oncológica.
Em nota pública, a AAPOC classificou a fala como exposição indevida da condição de saúde da paciente e destacou que pessoas em tratamento contra o câncer não podem ser submetidas a constrangimentos ou discriminação. A associação ressaltou ainda que informações médicas pertencem à esfera da intimidade e devem ser tratadas com respeito, sensibilidade e responsabilidade, especialmente em ambientes institucionais.
A entidade também enfatizou que a discriminação por condição de saúde afronta princípios constitucionais, como a dignidade da pessoa humana e o direito à igualdade. “Toda paciente oncológica merece respeito, acolhimento e empatia”, reforçou o posicionamento.

O caso ampliou o debate sobre limites éticos no exercício da função pública e sobre a necessidade de cautela ao tratar de questões de saúde em espaços oficiais, sobretudo quando envolvem situações de vulnerabilidade.
Ao final da nota, assinada pela presidente Janaina Santana, a AAPOC reiterou solidariedade à paciente e reafirmou seu compromisso com a defesa dos direitos e da dignidade das pessoas em tratamento oncológico.