
Oex-secretário de Estado de Saúde Gilberto Figueiredo negou a existência de uma suposta “mulher da SES” durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), nesta quarta-feira (14). Ao ser questionado sobre a expressão associada às investigações da Operação Espelho, ele classificou as suspeitas como uma “ilação vergonhosa” e defendeu servidoras que tiveram os nomes relacionados ao caso.
O episódio ocorreu durante um embate com o presidente da comissão, deputado Wilson Santos (PSD), que buscava esclarecer quem respondia pela área financeira, pelas licitações e pela ordenação de despesas da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) durante a gestão de Gilberto.
Ao rebater os questionamentos, o ex-secretário afirmou que a expressão desrespeita as mulheres que trabalham na pasta e sustentou que as suspeitas não poderiam ser tratadas como fatos comprovados.
“A SES tem 6.573 servidores. Destes, deputado, 4.194 são mulheres. Então, mulheres da SES têm 4.194. Guerreiras, determinadas, trabalhadoras”, declarou.
Gilberto também criticou a associação da expressão a supostas irregularidades na secretaria.
“Dizer que a SES tem uma mulher da SES que está lá operando em ações não republicanas é, no mínimo, uma sacanagem com as mulheres que trabalham na secretaria”, afirmou.
Segundo ele, a secretaria contava com nove secretários-adjuntos, sete deles mulheres. O ex-secretário também destacou a participação feminina em funções administrativas e nos escritórios regionais de saúde.
Operação Espelho
A Operação Espelho, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso, investigou suspeitas de irregularidades em contratos de prestação de serviços médicos em hospitais públicos do estado. As fases da operação ocorreram em 2021 e 2022, e as investigações resultaram no indiciamento de 22 pessoas em 2023.
Durante as apurações, mensagens trocadas entre empresários levantaram suspeitas sobre a atuação de uma pessoa identificada como “mulher da SES”, que supostamente orientaria integrantes do grupo em procedimentos licitatórios.
Em janeiro de 2024, o Ministério Público de Mato Grosso apontou, em aditamento à denúncia, Caroline Campos Dobes Conturbia Neves, então secretária-adjunta de Gestão Hospitalar, como a pessoa mencionada nas conversas.
Durante a CPI, Gilberto afirmou que Caroline foi injustamente associada às suspeitas e citou decisões judiciais favoráveis à ex-adjunta.
“Eu quero dizer que se trata de uma gestora governamental com mais de 20 anos de trabalho dedicada na Secretaria da Educação, na Secretaria de Planejamento, na Secretaria de Saúde, que enfrentou desafios brutais e que foi injustamente tratada ao longo dessa denúncia que nunca se comprovou”, declarou.
Questionado diretamente se Ivone Lúcia Rosset Rodrigues, ex-secretária-adjunta de Finanças da SES, seria a suposta “mulher da SES”, Gilberto respondeu: “Claro que não, deputado”.
Wilson Santos cobra esclarecimentos
O presidente da CPI rebateu o ex-secretário e afirmou que a expressão não surgiu na comissão parlamentar, mas em depoimentos relacionados à Operação Espelho e às investigações policiais.
“A CPI está caminhando para isso, secretário. Estamos caminhando para isso. E quem levantou essa temática da mulher da SES não foi a CPI. São depoimentos na Operação Espelho. São depoimentos dentro da Polícia Federal”, afirmou Wilson Santos.
O deputado também declarou que Caroline havia apresentado à comissão duas decisões judiciais favoráveis e ressaltou que ela não exercia a função de ordenadora de despesas nem era responsável pelas licitações da secretaria.
Na sequência, Wilson voltou a questionar quem respondia pelos procedimentos licitatórios durante a gestão de Gilberto.
O ex-secretário explicou que, inicialmente, as atribuições estavam vinculadas à estrutura administrativa da pasta comandada por Ivone Rosset. Posteriormente, segundo ele, foi criada uma secretaria-adjunta específica para contratos e licitações.
“Diz que, inicialmente, na gestão, pelas atribuições que eram da pasta dela, foi. Depois foi criada uma secretaria-adjunta específica de contrato e licitações”, explicou.
Pressionado a identificar quem assumiu a função, Gilberto se recusou a citar nomes e afirmou que os ocupantes dos cargos poderiam ser identificados por meio das publicações oficiais.
“Eu não vou aqui nessa CPI fazer aquilo que o senhor quer. Eu fico dando nome às pessoas que estão legalmente investidas nos cargos, publicado em diário oficial. O senhor tem essa informação”, concluiu.
As declarações ocorreram durante a oitiva da CPI da Saúde, que busca esclarecer responsabilidades administrativas e possíveis irregularidades relacionadas à gestão da saúde pública estadual. As suspeitas investigadas devem ser diferenciadas de eventuais responsabilidades comprovadas judicialmente.