
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode votar nesta quinta-feira (05) requerimentos que solicitam a quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A pauta inclui ainda pedidos semelhantes envolvendo outros investigados no âmbito da comissão.
A CPMI apura possíveis conexões entre empresários, lobistas e agentes públicos suspeitos de envolvimento em irregularidades relacionadas ao INSS. Os parlamentares avaliam indícios de tráfico de influência, pagamentos suspeitos e uso de empresas de fachada.
Além de Lulinha, estão na lista de pedidos de quebra de sigilo a publicitária Danielle Fonteles, que atuou em campanhas eleitorais do PT, e a lobista Roberta Luchsinger, apontada como pessoa próxima ao filho do presidente. Segundo as investigações, os três teriam ligação com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, figura central das apurações conduzidas pela CPMI.
Em depoimento à Polícia Federal, o ex-funcionário de Antônio Carlos, Edson Claro, afirmou que o empresário teria feito pagamentos mensais de R$ 300 mil a Lulinha. De acordo com o relato, os valores teriam como finalidade facilitar o acesso da empresa Cannabis World, voltada à produção de maconha medicinal, a áreas estratégicas do governo federal.
No caso de Danielle Fonteles, a comissão analisa um pagamento de R$ 200 mil realizado por uma empresa de consultoria chamada Spyder, que, segundo parlamentares, apresenta indícios de ser uma empresa de fachada. Questionada, a publicitária declarou que o valor teria sido repassado diretamente por Antônio Carlos Camilo Antunes.
Mensagens trocadas por aplicativo, reveladas em reportagens jornalísticas, indicariam ainda que Danielle coordenava atividades ligadas à operação internacional da empresa de maconha medicinal do empresário, incluindo ações em Portugal.
A lobista Roberta Luchsinger é apontada como amiga pessoal de Lulinha e teria atuado profissionalmente ao lado de Antônio Carlos Camilo Antunes. Conforme apuração da CPMI, ambos participaram de reuniões no Ministério da Saúde para tratar de interesses de uma empresa de telemedicina.
A comissão também investiga o fato de Lulinha se hospedar em Brasília em um imóvel no Lago Sul alugado por Roberta. O mesmo endereço já teria sido utilizado anteriormente por dirigentes partidários.
Em um dos requerimentos apresentados pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), a justificativa para a investigação de Lulinha se baseia em mensagens interceptadas durante as apurações. Segundo o documento, ao ser questionado sobre o destino de um pagamento de R$ 300 mil feito à empresa de Roberta Luchsinger, Antônio Carlos Camilo Antunes teria afirmado que o valor se destinava a “o filho do rapaz”, expressão interpretada pelos investigadores como referência ao filho do presidente.
Parlamentares como Kim Kataguiri (União-SP) também assinam requerimentos com pedidos semelhantes.
A pauta da comissão inclui ainda a análise da quebra de sigilos do ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência, Aldroaldo Portal. Em dezembro, ele foi alvo da Polícia Federal durante uma fase da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de fraudes conhecidas como “Farra do INSS”.
Na ocasião, Aldroaldo Portal foi afastado do cargo e preso por decisão judicial. A CPMI avalia se há necessidade de aprofundar a análise de sua movimentação financeira e fiscal no contexto das investigações.