
A ex-modelo brasileira Luma de Oliveira foi mencionada em uma troca de e-mails entre o magnata americano Jeffrey Epstein, condenado por abuso e tráfico sexual, e o agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, em agosto de 2012. Na mensagem, Epstein pergunta: “E a namorada de Eike Batista? Você mencionou isso”. Em resposta, Brunel afirma: “Eu citei a Luma de Oliveira, ele era ou é casado com ela”.
Luma e o empresário Eike Batista mantiveram um relacionamento por cerca de 13 anos, entre 1991 e 2004. À época da troca de e-mails, os dois já estavam separados havia oito anos. Não há qualquer indicação nos documentos de que a ex-modelo tenha tido contato com Epstein ou envolvimento com os crimes investigados.
Jean-Luc Brunel foi preso em 2020 no âmbito das investigações do caso Epstein, que incluem acusações de estupro, agressão e assédio sexual. Considerado um dos principais colaboradores do magnata, o agente francês foi encontrado morto em sua cela na prisão de La Santé, em Paris, em 2022. As autoridades francesas classificaram o caso como suicídio.
Brunel é citado em mais de cinco mil arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Investigadores e autoridades ressaltam, porém, que a simples menção de nomes nos documentos não significa, necessariamente, vínculo com os crimes cometidos por Epstein. Outras figuras públicas brasileiras, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro, também aparecem nos arquivos.
No caso de Lula, o Palácio do Planalto negou qualquer contato com Epstein. “Essa informação não procede. A citada ligação telefônica nunca aconteceu”, afirmou o governo em resposta à CNN Brasil.
Busca por modelos brasileiras
Outra troca de e-mails, datada de 2016, entre Epstein e um homem identificado como Ramsey Elkholy, indica que o americano buscava adquirir agências de modelos brasileiras para ter “acesso” às mulheres. “Isso envolveria ter acesso a todas as garotas, e você pode decidir o que fazer com elas”, diz uma das mensagens enviadas por Elkholy durante as negociações. Em outro trecho, ele afirma que seria possível levar as modelos para os Estados Unidos, Paris ou Caribe, mencionando inclusive a existência de uma agência brasileira responsável pelos vistos.
Nessa correspondência, aparecem referências a agências como Way Model Management, Ford Models e Elite Model. Outros documentos apontam que, segundo a acusação apresentada em 2020, modelos brasileiras levadas por Brunel foram interrogadas pela polícia. De acordo com os investigadores, elas eram descritas como “funcionárias, namoradas ou garotas que viajavam com ele regularmente, ou garotas que visitavam Epstein vindas de outras cidades ou países”.
Caso Epstein
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou, em 30 de janeiro, mais de 3 milhões de páginas, além de 2 mil vídeos e 180 mil imagens relacionadas à investigação contra Jeffrey Epstein. A liberação do material encerrou meses de disputas entre o governo americano, juízes federais e parlamentares sobre a forma de tornar públicos os documentos.
As autoridades americanas informaram que ainda podem ser feitos ajustes nos arquivos, incluindo a ocultação de dados pessoais das vítimas, conteúdos sensíveis ou qualquer informação que possa comprometer investigações federais em andamento.