
O desaparecimento de duas crianças em Bacabal, no Maranhão, passou a ser acompanhado por uma onda de desinformação nas redes sociais, o que tem gerado preocupação entre autoridades, moradores e familiares. Publicações com acusações sem provas e linguagem sensacionalista vêm circulando amplamente, muitas delas associando o caso a supostas práticas religiosas, hipótese que é descartada pela Polícia Civil.
Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, foram vistos pela última vez após saírem para brincar em uma área de vegetação próxima ao quilombo São Sebastião dos Pretos, no início de janeiro. Desde então, equipes de segurança pública e voluntários realizam buscas contínuas na região.
O primo das crianças, Anderson Kauã, de 8 anos, que havia desaparecido junto com elas, foi encontrado dias depois em um povoado de um município vizinho. A localização do menino trouxe esperança às famílias e reforçou a continuidade das operações para localizar Ágatha e Allan.
Apesar disso, conteúdos enganosos continuam sendo compartilhados nas redes sociais. Algumas publicações levantam hipóteses não confirmadas e relacionam o desaparecimento a “rituais macabros” ou crimes de cunho religioso, sem qualquer respaldo nas investigações oficiais. Especialistas alertam que esse tipo de boato pode prejudicar o trabalho policial, além de estimular preconceito e pânico social.
Em meio à repercussão, familiares e equipes envolvidas nas buscas têm feito apelos para que a população compartilhe apenas informações verificadas, contribuindo de forma responsável para o avanço das investigações.

A Polícia Civil do Maranhão afirma não haver qualquer relação entre o desaparecimento das crianças e práticas religiosas. Em declaração ao g1, o delegado-geral adjunto operacional, Ederson Martins, reforçou que não existem elementos que sustentem esse tipo de associação.
“Essa informação de que as crianças foram usadas para rituais não procede. Infelizmente, com tanta informação falsa, estão colocando a família das crianças em constante risco. Todas as informações que chegam estão sendo checadas, e nenhuma linha de investigação é descartada”, afirmou.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o delegado explicou ainda que a presença de velas em áreas de comunidades quilombolas pode estar ligada a manifestações religiosas de matriz africana, práticas culturalmente comuns nesses territórios. Segundo ele, até o momento, a investigação não identificou sinais de práticas criminosas nem qualquer envolvimento da comunidade no desaparecimento.
Além das acusações infundadas, o caso também tem sido alvo de conteúdos especulativos, incluindo falas de pessoas que se apresentam como videntes e oferecem interpretações místicas para o sumiço das crianças. Autoridades e especialistas alertam que esse tipo de material pode confundir a população, desviar o foco do trabalho investigativo e ampliar a circulação de desinformação.
A recomendação oficial é que a população busque informações em fontes confiáveis e evite compartilhar alegações sem confirmação, contribuindo para um ambiente mais seguro e responsável enquanto as buscas continuam.