
A vereadora e primeira-dama de Cuiabá, Samantha Iris (PL), se posicionou publicamente em defesa do projeto da Prefeitura que prevê isenção do IPTU para imóveis localizados em ruas sem pavimentação asfáltica. A proposta, anunciada pelo prefeito Abilio Brunini (PL), gerou críticas de parlamentares da oposição, que classificam a medida como eleitoreira.
As contestações mais incisivas vieram dos vereadores Maysa Leão e Daniel Monteiro, ambos do Republicanos. Eles apontam possível uso político da iniciativa, especialmente diante da pré-candidatura de Samantha a deputada estadual. Maysa afirmou que o projeto não enfrenta os principais problemas estruturais da cidade e teria mais força no discurso do que impacto prático.
Ao rebater as críticas, Samantha declarou que parte dos questionamentos parte de quem não vive a realidade das áreas sem infraestrutura. Segundo ela, é diferente opinar quando se mora em ruas já asfaltadas. A vereadora sustentou que a proposta busca corrigir uma distorção histórica enfrentada por moradores que pagam imposto sem receber o serviço básico de pavimentação.
Pelo texto apresentado pelo Executivo, o IPTU passaria a ser cobrado apenas em vias com asfalto. A justificativa é que a medida teria caráter temporário e estaria vinculada a um plano de investimentos em obras de infraestrutura. Conforme a Prefeitura, cerca de R$ 120 milhões já estariam assegurados para ampliar a malha asfáltica da Capital em 2026, com projetos em elaboração para diversos bairros.
Samantha também argumentou que, após a pavimentação, os imóveis tendem a se valorizar e o imposto volta a ser cobrado, possivelmente em valor maior. Para ela, a proposta funciona como um equilíbrio momentâneo para moradores que aguardam obras.
Do outro lado, Maysa Leão questionou a efetividade da medida ao afirmar que parte das regiões citadas nem sequer possui regularização fundiária ou cadastro adequado para cobrança. A vereadora também apontou inconsistências no sistema urbano, com ruas registradas como asfaltadas oficialmente, mas que não teriam pavimentação na prática.
Daniel Monteiro, por sua vez, levantou questionamentos fiscais e jurídicos. Ele destacou que qualquer renúncia de receita precisa obedecer à Lei de Responsabilidade Fiscal, exigindo indicação de compensação para a perda de arrecadação. Segundo o parlamentar, o debate sobre a isenção pode acabar desviando a atenção de reajustes tributários aprovados anteriormente.
O projeto ainda será analisado pela Câmara Municipal e deve provocar embates entre a base governista e a oposição nas próximas sessões.