
O dentista Pedro Gonçalves de Souza Júnior, de Cuiabá, afastado cautelarmente do exercício da odontologia pelo Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso (CRO-MT), responde a pelo menos cinco processos judiciais relacionados à prestação de serviços odontológicos. A maioria das ações envolve pedidos de indenização por danos morais, materiais e estéticos feitos por pacientes que alegam não ter obtido os resultados prometidos em tratamentos estéticos bucais.
De acordo com informações constantes em processos judiciais públicos, os pacientes relatam complicações graves após os procedimentos, como sangramentos gengivais, inflamações, perdas ósseas e desprendimento de lentes dentárias. Em um dos casos, que envolve o paciente identificado pelas iniciais C.H., a Justiça reconheceu falhas no atendimento após ser constatado que um fragmento de luva cirúrgica permaneceu entre os dentes do paciente por vários meses.
Nesse processo, Pedro Gonçalves de Souza Júnior foi condenado ao pagamento de mais de R$ 14 mil a título de indenização por danos materiais e morais. Conforme os autos, o paciente precisou se submeter a novos procedimentos odontológicos para corrigir os problemas causados pelo tratamento anterior.
Além dessa condenação, o dentista é alvo de ao menos outras quatro ações judiciais que apontam má prestação de serviço, falhas técnicas, negligência profissional e descumprimento contratual. Somados, os valores cobrados pelos pacientes ultrapassam R$ 255 mil.
Sobre o afastamento
Pedro Gonçalves de Souza Júnior foi afastado cautelarmente do exercício profissional por 30 dias no dia 1º de fevereiro, por decisão do Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso. A medida veio acompanhada da abertura de um processo ético-disciplinar para apurar denúncias de condutas consideradas ofensivas e possível exercício ilegal da profissão.
Segundo o CRO-MT, o afastamento ocorreu após denúncias feitas por profissionais das áreas de nutrição e educação física. Eles acusam o dentista de oferecer orientações nutricionais e de emagrecimento por meio do programa denominado “Doclife”, sem possuir formação ou habilitação técnica para tal atuação. O profissional também é investigado por publicações em redes sociais com declarações classificadas como difamatórias contra outras categorias da área da saúde.