O delegado André Monteiro, da Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande, informou que a polícia já identificou 14 pessoas vítimas do esquema de golpes atribuído a Adriana Nunes Lunguinho de Almeida, de 52 anos, mãe do prefeito de Nossa Senhora do Livramento, Thiago Almeida (União). Deste total, apenas oito formalizaram representação criminal contra a investigada até o momento.
De acordo com a autoridade policial, o prejuízo causado apenas pelas vítimas que decidiram denunciar oficialmente ultrapassa R$ 910 mil, podendo se aproximar de R$ 1 milhão. O valor não inclui aqueles que optaram por não registrar queixa, o que pode ampliar ainda mais o montante real dos danos financeiros.
As vítimas, segundo o delegado, fazem parte do círculo próximo de Adriana. São parentes, prestadores de serviços, vizinhos e pessoas que conviviam com ela. A maioria reside em Várzea Grande, mas também há registros em Nossa Senhora do Livramento, Cuiabá e até em Fortaleza, no Ceará, cidade natal da investigada.
“Temos vítimas em vários municípios. Em Fortaleza, por exemplo, três parentes dela foram identificados como lesados, mas optaram por não representar criminalmente”, explicou Monteiro.
Adriana responde ao processo em liberdade, porém o delegado ressaltou que a situação pode ser revista a qualquer momento. Caso surjam novos elementos ou haja necessidade técnica, medidas cautelares mais severas podem ser adotadas.
A Polícia Civil segue apurando o caso e orienta que outras pessoas que tenham sido prejudicadas procurem a Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande para receber orientações e registrar ocorrência.
Como funcionava o esquema
As investigações indicam que Adriana utilizava o cargo do filho como prefeito para dar credibilidade às propostas que apresentava. Ela teria criado uma rede de captação de recursos, oferecendo empréstimos para uma suposta empresa que, segundo dizia, prestaria serviços à Prefeitura de Nossa Senhora do Livramento.
O próprio prefeito Thiago Almeida revelou nas redes sociais que também foi vítima das ações da mãe. Conforme relatado por ele, Adriana atraía as pessoas com promessas de altos lucros. No início, honrava os pagamentos de valores menores para ganhar confiança e, depois, passava a solicitar quantias mais altas, alegando que os negócios contavam com seu aval como prefeito.
As investigações também apontam que ela teria falsificado assinaturas em cheques do filho e produzido montagens de conversas no WhatsApp para simular o apoio dele às transações. O dinheiro obtido, segundo a polícia, era usado para sustentar uma dependência em jogos de azar.
