
A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Estelionato de Várzea Grande, deflagrou na manhã desta terça-feira (12) a Operação Aliança de Sangue, para cumprir mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares contra uma associação criminosa que vinha aplicando golpes em aposentados e pensionistas da cidade.
Ao todo, quatro mandados expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias da Comarca de Cuiabá foram cumpridos contra seis suspeitos identificados nas investigações, sendo ao menos cinco membros da mesma família. Além das buscas, a Justiça determinou a suspensão da atividade comercial de uma empresa envolvida, o sequestro de bens e o bloqueio de valores nas contas das pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo.

A investigação, que durou cerca de um ano, identificou mais de 30 vítimas, com prejuízo estimado em mais de R$ 400 mil. O grupo contava com agentes de crédito autorizados, intermediários que cooptavam pessoas interessadas em empréstimos e financiamentos.
O esquema se aproveitava do perfil vulnerável das vítimas — aposentados com idade avançada, baixa escolaridade, pouco conhecimento tecnológico ou até transtornos mentais — para abrir contas bancárias e contrair empréstimos sem o consentimento dos mesmos. As fraudes só eram descobertas quando os descontos apareciam nas folhas de pagamento dos benefícios do INSS.

Para aplicar os golpes, os suspeitos visitavam as vítimas em casa ou as convocavam a escritórios, onde iniciavam o processo de empréstimo com selfies, fotos de documentos e outras autorizações. Durante o procedimento, informavam que o pedido não estava concluído, enquanto já movimentavam os valores creditados em contas abertas em nome das vítimas, realizando diversas transferências entre contas para dificultar o rastreamento.
Segundo o delegado André Monteiro, responsável pela operação, os escritórios eram abertos e fechados rapidamente para evitar identificação, aproveitando a dupla vulnerabilidade das vítimas: financeira e pessoal, como idade avançada, analfabetismo ou deficiência.
A operação recebeu o nome “Aliança de Sangue” por envolver familiares que uniram esforços para enganar pessoas vulneráveis, configurando associação criminosa.