Ao longo de 2025, o comércio varejista de Cuiabá entrou em queda, pressionado pela alta taxa de juros, pelo avanço da inadimplência das famílias e pelos impactos das obras do BRT. O alerta é de Júnior Macagnam, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá), com base em dados oficiais da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz-MT).
Levantamento solicitado pela entidade mostra que, na comparação entre 2024 e os dez primeiros meses de 2025, a arrecadação do ICMS do comércio varejista na capital caiu 20%, passando de R$ 940,21 milhões para R$ 752,09 milhões, evidenciando o desaquecimento de um dos principais setores da economia local.
A maior retração foi registrada no segmento de supermercados e alimentos, cuja arrecadação recuou 31%, saindo de R$ 190,13 milhões para R$ 131,08 milhões. Em seguida, o setor de bens duráveis, que engloba móveis e eletrodomésticos, apresentou queda de 25%, com o ICMS passando de R$ 157,39 milhões para R$ 118,3 milhões.
O comércio de tecidos, calçados e confecções teve a menor redução percentual, mas ainda assim registrou retração de 12%, com arrecadação de R$ 216,59 milhões em 2025, frente aos R$ 247,2 milhões do ano anterior.
De acordo com Júnior Macagnam, a análise da arrecadação é uma das principais formas de medir o ritmo dos negócios no varejo formal, responsável pela geração de empregos e impostos. Outro indicador que reforça o cenário de alerta vem do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Dados do MTE apontam que, entre janeiro e novembro de 2025, o comércio de Cuiabá gerou 33.425 contratações, abaixo das 34.460 registradas no mesmo período de 2024, uma queda de 3%. Já o saldo de empregos, contratações menos demissões, despencou 68%, passando de 1.653 postos em 2024 para 528 empregos líquidos em 2025.
Para o presidente da CDL Cuiabá, o cenário é explicado principalmente pela Selic em 15% ao ano, que encarece o crédito e freia o consumo, além da inadimplência, que atinge cerca de 45% da população economicamente ativa de Mato Grosso. Ele também cita fatores locais, como obras urbanas de grande porte, que impactam o acesso às lojas e a circulação de consumidores.
Segundo Macagnam, a CDL Cuiabá seguirá oferecendo qualificação, informação e orientação aos empresários, mas reforça que a recuperação do setor depende de um ambiente de negócios mais atrativo, com políticas públicas que estimulem o consumo, preservem empregos e contribuam para a prosperidade econômica da capital.
