
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O relatório da Polícia Federal (PF) que fundamenta o pedido de indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por suposta tentativa de obstrução de investigação sobre golpe de Estado revelou falhas significativas na recuperação de provas consideradas cruciais para o caso.
Segundo o documento, ao menos dez áudios, quatro imagens e um vídeo mencionados em conversas entre Jair e Eduardo Bolsonaro não puderam ser recuperados, deixando lacunas relevantes na apuração.
A dificuldade ocorre devido ao funcionamento do WhatsApp, que não armazena os arquivos de mídia, mas apenas metadados, como nomes, tipos e horários. Com isso, respostas em áudio de Bolsonaro a comentários de Eduardo sobre estratégias políticas e o futuro da família, além de diálogos envolvendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), permaneceram inacessíveis.
Entre as mídias perdidas, está um vídeo compartilhado por Eduardo acompanhado da frase: “Pressão aumenta nos EUA. Pode ter certeza, não estamos parados”. A PF chegou a buscar publicações abertas em redes sociais para tentar localizar o conteúdo, mas não conseguiu confirmar se se tratava do mesmo material citado nas conversas.
Também não foi possível recuperar um arquivo relacionado à relação com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assim como a resposta em áudio de Bolsonaro sobre o tema. Para a Polícia Federal, essas lacunas comprometem a avaliação do grau de coordenação entre Bolsonaro, seus aliados e eventuais interlocutores estrangeiros.