O show do Guns N’ Roses, realizado em 31 de outubro na Arena Pantanal, em Cuiabá, entrou para a história dos grandes eventos já sediados em Mato Grosso e reposicionou o estado no circuito nacional e internacional de grandes turnês musicais. O sucesso da apresentação reforçou o potencial da capital para receber artistas de renome mundial de diferentes estilos.
Meses antes de subir ao palco, a chegada da lendária banda de rock já mobilizava fãs, imprensa e o setor turístico. Em 20 de maio, o MidiaNews revelou com exclusividade as negociações para trazer o grupo à capital mato-grossense. A informação, inicialmente divulgada em páginas de fãs, foi confirmada pouco depois pelo secretário estadual de Esporte, Cultura e Lazer, David Moura, o que ampliou a repercussão e levou a notícia à mídia nacional.
A confirmação oficial veio em 6 de junho, quando o próprio Guns N’ Roses anunciou Cuiabá na agenda da turnê por meio das redes sociais. O anúncio, que no primeiro momento foi recebido com desconfiança por parte do público, rapidamente se transformou em euforia entre os fãs. “Primeiro eu achei que era fake news. É algo que você não espera viver”, contou o jornalista Lucas Rodrigues, de 33 anos, fã da banda há mais de duas décadas.
A abertura das vendas de ingressos teve impacto imediato na economia local. Hotéis da capital registraram alta demanda, com reservas feitas por fãs de diversas regiões do país para o período do show.
A apresentação integrou a turnê “Because What You Want and What You Get Are Two Completely Different Things” e marcou o retorno da banda ao Brasil após anos sem se apresentar no país. Para o espetáculo em Cuiabá, o Guns N’ Roses cobrou cachê de US$ 1,6 milhão, cerca de R$ 8,7 milhões. Além disso, uma série de exigências técnicas e estruturais foi imposta aos organizadores.
Segundo o empresário Elson Ramos, produtor do evento, a banda solicitou camarins individuais com controle rigoroso de iluminação e climatização, alimentação gourmet, segurança reforçada e uma estrutura de palco inédita no estado. “Cada detalhe foi pensado para respeitar o legado do Guns. É um divisor de águas para Cuiabá no mercado de grandes eventos”, afirmou.

Os camarins, por exemplo, precisaram seguir padrões específicos. “Enquanto um camarim de um artista nacional gira em torno de R$ 10 mil, o do Guns chega facilmente a R$ 100 mil”, explicou Ramos. Os espaços deveriam ser mantidos com luz mínima, criando um ambiente mais intimista e relaxante. A banda também viaja com seu próprio chef, responsável por coordenar as refeições, que incluíram desde pratos sofisticados até opções mais simples, como fast-food.
A realização do show exigiu uma ampla operação de segurança. De acordo com o secretário David Moura, mais de 500 seguranças privados atuaram no evento, além do apoio de um esquadrão antibomba do Bope e de um plano de evacuação. A Polícia Militar mobilizou cerca de 900 agentes, em uma operação que teve início dias antes da apresentação e seguiu até 1º de novembro.
A logística envolveu ainda bloqueios no entorno da Arena Pantanal a partir do meio-dia do dia do show, além da instalação de pontos de hidratação e atendimento médico para o público, que começou a formar filas ainda nas primeiras horas da manhã.

O resultado foi um espetáculo de grandes proporções que não apenas marcou os fãs, mas também consolidou Cuiabá como um novo polo apto a receber megaeventos culturais no Brasil.





